A última trombeta que Paulo cita é a mesma sétima trombeta em Apocalipse?

Postado por Presbítero André Sanchez, em #VocêPergunta |
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Você Pergunta: Presbítero, escutei uma pregação no YouTube em que o pastor dizia que a última trombeta mencionada por Paulo em 1 Coríntios 15:52 não é a mesma trombeta citada em Apocalipse. Você concorda com essa interpretação? Confio muito na sua forma séria de apresentar os estudos bíblicos. Faça um estudo sobre isso para nós, por favor.

Quando estudamos textos bíblicos que falam da realidade dos últimos tempos, das últimas coisas, da segunda vinda do Senhor Jesus Cristo, precisamos ter especial cuidado para não confundir linguagem simbólica com linguagem literal.

Isso porque a linguagem escatológica (sobre as últimas coisas) é muito carregada de símbolos que passam mensagens profundas. Se esses símbolos são interpretados literalmente, acabam destruindo o significado original do texto!

Pensando nisso, será que a trombeta citada em 1 Coríntios e em Apocalipse, são a mesma trombeta? Elas são simbólicas? Será que realmente uma trombeta tocará de forma audível nos últimos tempos? Ou, serão 7 trombetas como explica Apocalipse?

O que Paulo afirma: foco na ressurreição e na transformação

Paulo, explicando a esperança cristã acerca da segunda vinda de Cristo, afirma com clareza sobre o que quer tratar, falando a respeito da ressurreição do corpo físico:

“num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1 Coríntios 15:52)

Aqui há três pontos essenciais que temos de considerar:

  1. Trata-se de um evento decisivo e irreversível — a palavra “última” indica que é algo final, que não volta a acontecer, que muda a realidade anterior para uma nova;
  2. O interesse de Paulo é a ressurreição corporal e a transformação dos vivos: corpos corruptíveis (que morriam) → corpos incorruptíveis (que não morrem mais, pois vão viver a eternidade);
  3. Paulo não pretende oferecer aqui um roteiro minucioso de todos os eventos finais, mas destacar a certeza da vitória sobre a morte. Ou seja, ele destaca um acontecimento dentre muitos.

Quando ele diz “num momento, num abrir e fechar de olhos”, insiste na rapidez e na gravidade da ação: uma mudança absoluta que inaugura a vida eterna com Cristo.

A trombeta em Apocalipse: o clímax do julgamento público

Em Apocalipse, a linguagem é altamente simbólica e também seleciona alguns eventos que deseja destacar. A sétima trombeta, tocada pelo sétimo anjo, aparece como marca do clímax do juízo e do triunfo do Senhor Jesus: 

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“Na verdade, as nações se enfureceram; chegou, porém, a tua ira, e o tempo determinado para serem julgados os mortos, para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome, tanto aos pequenos como aos grandes, e para destruíres os que destroem a terra” (Apocalipse 11:18). Note-se:

  • O enfoque aqui é o juízo público e o galardão aos servos de Deus;
  • João, no seu livro carregado de visões, organiza uma série de sinais (sete trombetas) que descrevem fases do fim dos tempos.

Trombeta literal ou simbólica?

No Antigo Testamento a trombeta (shofar) tem uso ritual e simbólico: convocação à assembleia, anúncio de festas, mobilização para a guerra, sinal de vitória.

Paulo pode estar usando esse uso conhecido da trombeta para comunicar que, quando soar aquela sinalização final, tudo será manifestado: a ressurreição, a transformação e a consumação da esperança cristã. Portanto:

  • Não é impossível que exista um som literal associado ao evento final (e que Deus faça todos ouvirem);
  • Contudo, é bastante provável que Paulo use a imagem da trombeta como figura capaz de comunicar a certeza, a publicidade e a convocação do grande dia de Deus. Ou seja, todos irão saber, de forma clara, que chegou esse momento. O foco não é em um som, mas na certeza do acontecimento!

Em Apocalipse, as trombetas são parte de um quadro simbólico maior (sete sinais progressivos – que englobam desde a primeira até a segunda vinda de Cristo). 

João não descreve a transformação corporal porque seu foco, principalmente com relação à sétima trombeta, é mostrar que Cristo cumpriu sua promessa de retorno, o julgamento ocorreu e os santos foram, de fato, salvos como Deus havia dito!

Como conciliar Paulo e João?

As duas passagens não se contradizem; elas enfatizam aspectos diferentes do mesmo conjunto de acontecimentos finais. Resumindo:

  • Paulo fala de um acontecimento específico — a ressurreição dos mortos e a transformação dos vivos — e usa a expressão “última trombeta” para apontar o caráter final e irrevogável desse momento.
  • João descreve uma série de sinais (sete trombetas) que, coletivamente, anunciam e executam o juízo, culminando no triunfo de Cristo e na punição dos que corrompem a terra.
  • Portanto, a “trombeta” usada por Paulo não precisa ser idêntica, em detalhe, à “sétima trombeta” citada por João (e não é); ambas, porém, pertencem ao mesmo conjunto de informações sobre a doutrina das últimas coisas (escatologia): o retorno de Cristo e a consumação.

Por fim, para o crente, isso significa manter duas atitudes: fé na certeza da ressurreição final (mensagem pastoral central de Paulo) e humildade diante do simbolismo profético, que aponta para dezenas de acontecimentos que se concretizarão entre a primeira e segunda vinda de Cristo! (mensagem pastoral de João).

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