Ósculo Santo: Você sabe como funcionavam os BEIJOS nos tempos bíblicos?

Aprenda em 1 MÊS estudando a Bíblia comigo e com meu método, o que você levaria 1 ANO estudando a Bíblia sozinho! Eu vou te acompanhar pessoalmente e você terá acesso ao meu método de ensino que já formou mais de 25 mil alunos, que aprenderam a Bíblia de Gênesis a Apocalipse COM PROFUNDIDADE! Você pode dar 1 mês para Deus agora? ACESSE AQUI nesse link todos os detalhes
Você Pergunta: Presbítero, a gente sabe que a cultura judaica é bem diferente da nossa aqui no Brasil, né? Lá, por exemplo, é normal homens se cumprimentarem com beijo, como sinal de amizade e respeito. Por isso fiquei pensando: quando Paulo fala do “ósculo santo”, o que exatamente ele queria dizer? O que a Bíblia ensina, de fato, sobre o beijo? E hoje, será que a gente deveria se cumprimentar desse jeito também, ou isso fazia mais sentido só naquele contexto cultural?
Precisamos compreender que alguns atos têm significados diferentes dentro de culturas diferentes. Algo absolutamente normal dentro da cultura brasileira (por exemplo) pode ser interpretado de forma equivocada em outros contextos culturais.
No Brasil, por exemplo, gesticulamos bastante enquanto conversamos; em outras culturas, esse mesmo gesto pode ser entendido como agressividade ou falta de respeito.
Por isso, quando lidamos com a Bíblia, não podemos interpretar palavras e práticas antigas apenas com os “óculos” da nossa cultura atual.
É necessário entender os termos bíblicos dentro do seu contexto histórico e cultural, para então extrair corretamente os princípios espirituais que eles ensinam. É exatamente isso que precisamos fazer ao analisar a expressão “ósculo santo” usada pelo apóstolo Paulo.
O que esse beijo significava para os cristãos do primeiro século? Como ele era entendido dentro da cultura judaico-greco-romana? E, sobretudo, como esse ensino pode ser aplicado hoje, em um contexto cultural tão diferente como o nosso no Brasil? É isso que vamos estudar a seguir.
O ósculo santo como expressão de comunhão cristã
Uma das orientações dadas por Paulo à igreja de Corinto nos ajuda a compreender o uso do beijo como expressão de comunhão entre os irmãos em Cristo.
Ele escreve: “Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo” (2 Coríntios 13:12).
A palavra “ósculo” é a tradução do termo grego phílema, que significa simplesmente “beijo”. Já o adjetivo “santo” indica algo separado, consagrado e distinto do uso comum.
Isso deixa claro que Paulo não está falando de um beijo carregado de intenções sensuais ou ambíguas, mas de um gesto puro, marcado pelo amor fraternal (entre irmãos).
O “ósculo santo” era, portanto, um beijo usado como sinal de afeição, respeito e comunhão entre irmãos na fé, inclusive entre pessoas do mesmo sexo. Geralmente era dado no rosto e não possuía, naquele contexto, qualquer conotação erótica.
Era uma prática cultural comum, assimilada pela igreja primitiva e ressignificada espiritualmente, tornando-se um gesto de unidade no corpo de Cristo.
Essa prática aparece repetidas vezes no Novo Testamento, o que demonstra que não se tratava de algo isolado. Paulo menciona novamente:
“Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo” (Romanos 16:16);
“Todos os irmãos vos saúdam. Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo” (1 Coríntios 16:20);
“Saudai todos os irmãos com ósculo santo” (1 Tessalonicenses 5:26).
O apóstolo Pedro também usa expressão semelhante ao falar do “ósculo de amor” (1 Pedro 5:14).
No entanto, a própria história da igreja mostra que, com o passar do tempo, essa prática começou a gerar certos problemas. À medida que a sociedade se tornava cada vez mais sensualizada e maliciosa, o beijo passou a ser facilmente mal interpretado.
Isso levou muitas igrejas a abandonarem essa forma de cumprimento. A meu ver, isso revela uma postura de sabedoria pastoral.
Imagine, por exemplo, em nosso contexto brasileiro, uma mulher crente, que tem o marido não crente, sendo vista por esse marido recebendo beijos de outros homens na igreja. Será que vai dar confusão? Bem provável!
O objetivo do mandamento nunca foi o beijo em si, mas a comunhão fraterna, o amor sincero e a proximidade entre os irmãos — valores que podem ser plenamente expressos por outros gestos, como um aperto de mão, um abraço respeitoso ou palavras de encorajamento.
Isso não significa que o “ósculo santo” esteja proibido. Em contextos muito específicos, entre pessoas maduras espiritualmente e com laços claros de afeto fraternal, ele ainda pode ocorrer sem problemas.
O que não parece sábio é transformá-lo em uma regra universal de cumprimento para a igreja em culturas onde esse gesto facilmente gera escândalo ou confusão.
Outros significados do beijo nas escrituras
Além do “ósculo santo”, a Bíblia registra diversos outros usos do beijo, cada um com significados bem distintos. Ignorar essa variedade pode levar a interpretações rasas ou equivocadas.
Beijo como expressão de saudação e respeito
No mundo bíblico, o beijo também era um gesto comum de recepção e honra. Em Lucas 7, Jesus repreende Simão, o fariseu, justamente por não tê-lo recebido com esse sinal de respeito. Ele diz: “Não me deste ósculo; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés” (Lucas 7:45).
Nesse contexto, a ausência do beijo é vista como falha de hospitalidade, enquanto o gesto da mulher evidencia profunda reverência.
Beijo como expressão de afeição e gratidão
Nesse mesmo episódio, o beijo assume um sentido ainda mais intenso de afeição e gratidão. A mulher perdoada por Jesus beija repetidamente seus pés como resposta à graça recebida.
O gesto não é sobre rituais, mas profundamente emocional e espiritual. Algo semelhante ocorre na parábola do filho pródigo, quando o pai recebe o filho arrependido:
“E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou” (Lucas 15:20).
O beijo, aqui, expressa perdão, reconciliação e amor restaurador.
Beijo como expressão de amor e erotismo
A Bíblia também reconhece o beijo como expressão de amor romântico e sexual. Em Provérbios, ele aparece de forma negativa, associado à sedução e ao pecado: “Aproximou-se dele, e o beijou, e de cara impudente lhe diz…” (Provérbios 7:13).
Já em Cantares de Salomão, o beijo é celebrado positivamente dentro do contexto do amor conjugal: “Beija-me com os beijos de tua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho” (Cantares de Salomão 1:2).
Esses textos mostram que o mesmo gesto pode ter significados radicalmente diferentes, dependendo do contexto moral, relacional e cultural.
Aplicação prática para a igreja hoje
Diante de tudo isso, fica claro que a Bíblia não padroniza o beijo como um gesto único e obrigatório. O princípio que atravessa todos esses textos é o da intenção do coração e do contexto em que o gesto ocorre.
No caso do “ósculo santo”, o ensino central é a comunhão sincera, o amor fraternal e a unidade entre os irmãos. Esses valores continuam absolutamente válidos e necessários para a igreja hoje, ainda que a forma de expressá-los mude conforme a cultura.
Você pode ler MAIS UM ESTUDO agora? Escolha um abaixo e clique:
- Por que Paulo diz que tomou 40 açoites menos um? Qual o significado?
- O gigante Golias morreu por uma pedrada ou pela espada já que o texto diz os dois?
- Milagre do diabo? Arão jogou ouro no fogo e saiu um bezerro de ouro?
- Os presépios estão errados! Jesus nasceu em uma casa ou em uma manjedoura?
- Por que Deus abandonou Jesus na cruz se ele e o Pai eram um?
- O que eram as torrentes do Neguebe e o que significam na Bíblia?
- Por que a Bíblia diz que é horrível cair nas mãos de Deus, se ele é amor?



