Casal juntado sem casar. Podem tomar ceia ou a Bíblia proíbe?

Postado por Presbítero André Sanchez, em #VocêPergunta |

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Você Pergunta: Presbítero, sou nova-convertida; há dois anos sirvo a Jesus. Tenho um companheiro com quem vivo há 20 anos. Ele não quer servir a Jesus nem quer se casar comigo no cartório e nem na igreja. O pastor tem colocado impedimentos para eu tomar a Ceia do Senhor. Eu nunca poderei tomar a Ceia se meu companheiro quiser continuar amasiado?

Uma das dúvidas mais comuns quando o assunto é casamento, conversão e Santa Ceia envolve pessoas que chegaram à fé, conheceram o Senhor Jesus já vivendo em uma união estável ou relacionamento sem casamento formalizado (amasiados).

Afinal, quem está nessa situação pode participar da Ceia do Senhor? Ou ficará impedido para sempre?

Essa questão exige bastante cuidado, porque muitas vezes as pessoas tentam colocar todos os casos dentro da mesma situação. Porém, a Bíblia nos mostra que existem circunstâncias diferentes que precisam ser avaliadas individualmente.

O apóstolo Paulo também não ensinou um “libera geral”, onde qualquer pessoa, de qualquer jeito, pode participar da Ceia sem examinar sua vida diante de Deus. Pelo contrário, ele alertou:

“Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor” (1 Coríntios 11:27).

Por essa razão, quando falamos sobre casais que vivem juntos sem casamento formalizado, precisamos analisar pelo menos três situações distintas:

  1. Os dois são crentes e não querem casar;
  2. Um é crente e o outro não é crente, e a união começou antes da conversão;
  3. Um é crente e o outro não é crente, e a união começou depois da conversão.

Cada uma dessas situações possui características próprias e merece uma análise cuidadosa à luz da Palavra de Deus.

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A marca do verdadeiro convertido é desejar mudanças

Antes de examinarmos cada caso, precisamos compreender um princípio muito importante.

Quando alguém conhece verdadeiramente a Cristo, nasce dentro dele o desejo de abandonar aquilo que desagrada a Deus e buscar uma vida alinhada à Sua vontade. E isso também dentro da vida amorosa!

A Bíblia ensina claramente:

“Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” (Efésios 5:8).

Isso significa que o cristão não busca desculpas para permanecer em situações erradas. Pelo contrário, ele procura corrigir aquilo que estiver ao seu alcance para ser um bom testemunho para os demais!

Quando as mudanças dependem exclusivamente de nós, nossa responsabilidade diante de Deus é ainda maior. Devemos lutar contra o erro e implantar aquilo que é correto segundo a vontade do Senhor.

Por isso, em todos os casos que veremos, a parte que é cristã deve buscar as mudanças necessárias e também influenciar positivamente a outra pessoa para que ela enxergue e caminhe na direção correta.

Mas vamos analisar agora cada situação.

Os dois são crentes e não querem casar

Aqui temos um caso relativamente claro. Estamos diante de duas pessoas que conhecem a vontade de Deus, professam a fé cristã e vivem como marido e mulher (juntados) sem desejar regularizar a situação.

Nesse cenário, existe um problema de desobediência consciente.

Se vivem maritalmente sem casamento e sem intenção de corrigir a situação, estão permanecendo em uma prática que tradicionalmente a igreja e a Palavra identifica como fornicação.

Nesse caso, o papel da liderança não é condenar, mas restaurar.

O casal deve ser orientado, aconselhado e acompanhado para regularizar sua situação diante de Deus e da igreja.

Uma disciplina eclesiástica pode ser necessária, inclusive envolvendo a suspensão temporária da participação na Santa Ceia. Porém, é importante destacar que a disciplina bíblica nunca tem como objetivo punir por punir.

O propósito sempre é a restauração espiritual. A intenção é levar o casal à reflexão, ao arrependimento e à correção daquilo que está errado, para que se tornem exemplos de fidelidade ao Senhor.

Por que dois crentes verdadeiros desejariam viver sem um casamento totalmente legal e que seja exemplo de bom testemunho?

O casal precisa pensar nisso e arrumar a sua vida nessa questão. Feito isso, naturalmente haverá paz para participar da Ceia.

Um crente e um não crente: união iniciada antes da conversão

Esse talvez seja o caso mais frequente nas igrejas. A pessoa vive há muitos anos com seu companheiro, constitui família, cria filhos e somente depois conhece Jesus Cristo.

Ao se converter, passa a desejar obedecer a Deus em todas as áreas da vida, inclusive regularizando seu casamento.

Entretanto, o companheiro não convertido se recusa a casar no papel.

O que fazer nessa situação?

Entendo que aqui devemos considerar um princípio importante das Escrituras:

“Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Romanos 14:12).

A parte cristã deve orar, aconselhar, dialogar e buscar convencer o companheiro a regularizar a união. Ela deve demonstrar, por palavras e atitudes, que deseja fazer aquilo que agrada ao Senhor.

Contudo, se depois de todos os esforços o companheiro continua recusando o casamento, a regularização da situação deixa de depender exclusivamente do cristão.

Nesse caso, parece difícil responsabilizar integralmente a pessoa convertida por algo que ela deseja corrigir, mas não consegue resolver sozinha (porque depende de outra pessoa).

Alguns sugerem que a separação seria a solução. Porém, quando existe uma família consolidada e uma relação construída ao longo de muitos anos, essa não parece ser a alternativa mais sábia nem a mais alinhada ao espírito geral das Escrituras:

“e a mulher que tem marido incrédulo, e este consente em viver com ela, não deixe o marido” (1 Coríntios 7:13)

Por essa razão, muitos pastores e estudiosos (eu me incluo aqui) entendem que a pessoa convertida não deveria ser privada da participação na Santa Ceia, desde que fique evidente seu desejo sincero de regularizar a situação.

Ela não está defendendo o erro. Pelo contrário, está tentando corrigi-lo, mas não depende exclusivamente dela!

Nesse contexto, uma conversa respeitosa com a liderança da igreja é fundamental para que tudo fique bem esclarecido.

Um crente e um não crente: união iniciada após a conversão

Aqui a situação muda bastante. Neste caso, a pessoa já conhecia os princípios bíblicos quando decidiu iniciar o relacionamento.

Além disso, escolheu se unir a alguém que não compartilha da mesma fé.

Trata-se de um caso clássico de jugo desigual associado a uma relação estabelecida fora dos padrões ensinados pelas Escrituras.

Por isso, estamos diante de uma desobediência consciente. Mas mesmo aqui existem duas possibilidades.

A primeira é quando a pessoa está arrependida e deseja regularizar sua situação.

Nesse cenário, a igreja deve exercer disciplina restauradora, acompanhando o irmão ou irmã em sua caminhada de retorno à obediência.

A segunda possibilidade é quando a pessoa não demonstra arrependimento e deseja permanecer na situação, sem qualquer intenção de mudança.

Nesse caso, a liderança precisará agir de forma mais firme, aplicando admoestação e disciplina para que haja verdadeira restauração espiritual.

O objetivo continua sendo o mesmo: não destruir, mas conduzir ao arrependimento e à comunhão plena com Deus.

Nesses casos, é importante haver uma avaliação sincera caso a caso para decidir participar ou não da Santa Ceia. Se existe arrependimento sincero, creio estar aberto o caminho para a participação.

Então, a irmã da pergunta poderá tomar a Ceia?

Pelo relato apresentado, tudo indica que estamos diante do segundo caso. Ela já vivia com seu companheiro quando se converteu.

Agora deseja servir a Jesus e gostaria de regularizar sua situação, mas encontra resistência da outra parte.

Se realmente esse for o cenário, parece difícil afirmar que ela nunca poderá participar da Ceia do Senhor.

Sua responsabilidade diante de Deus é buscar a correção da situação naquilo que depende dela.

Se ela tem feito isso sinceramente, orando, conversando e demonstrando desejo de obedecer ao Senhor, então existe um argumento bíblico consistente para entender que ela pode sim participar da Ceia. Não deve ser privada por causa de outra pessoa.

Ainda assim, essa questão precisa ser tratada em diálogo respeitoso com a liderança da igreja local.

Cada caso possui detalhes específicos que precisam ser cuidadosamente avaliados.

E aqui vale uma observação importante: quanto mais conhecemos profundamente a Bíblia, mais percebemos que situações complexas exigem análises equilibradas.

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