Como podemos saber se o vinho mencionado na Bíblia tinha álcool ou era suco?
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Cara leitora, essa discussão realmente ocorre, mas, na maioria das vezes, as pessoas apenas opinam sobre esse tema sem fazer uma análise interpretativa correta, que se baseie apenas no que os textos realmente dizem.
Hoje vamos fazer essa análise de uma forma simples para que você consiga compreender:
Citações de vinho no Antigo Testamento
(1) Creio que a primeira e clara menção de que logo no início dos tempos o homem já havia dominado a técnica de produção de bebida alcoólica, mais especificamente o vinho, é sobre Noé:
“Sendo Noé lavrador, passou a plantar uma vinha. Bebendo do vinho, embriagou-se e se pôs nu dentro de sua tenda” (Gênesis 9:20).
Obviamente, o próprio texto responde que esse vinho tinha teor alcoólico, já que levou Noé à embriaguez. No Antigo Testamento não temos uma proibição de beber vinho em todos os casos.
Ele podia ser bebido moderadamente; No entanto, temos diversos alertas sobre o perigo dessa bebida:
“Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. Pois ao cabo morderá como a cobra e picará como o basilisco” (Provérbios 23:31).
Isso mostra que esse vinho mencionado nesses textos é realmente um vinho alcoólico, já que um simples suco de uva não provocaria tal efeito em uma pessoa.
Citações de vinho no Novo Testamento
(2) No novo Testamento, na maioria dos textos, é complexo saber em uma primeira análise que tipo de vinho temos ali, se um vinho com teor alcoólico ou um suco de uvas.
Vejamos a citação do vinho no primeiro milagre de Jesus em Caná da Galileia: “e lhe disse: Todos costumam pôr primeiro o bom vinho e, quando já beberam fartamente, servem o inferior; tu, porém, guardaste o bom vinho até agora” (João 2:10).
Em uma primeira análise, mais superficial, não temos como saber se esse vinho que Jesus fez vir da água tinha ou não álcool. No entanto, uma análise mais aprofundada nos dará esse resposta.
(3) A palavra grega usada em João 2:10 para vinho foi “oinos”. Essa palavra é usada geralmente para vinho fermentado. Mas para fortalecer ainda mais essa questão, podemos recorrer a outros textos em que “oinos” aparece:
“E não vos embriagueis com vinho (OINOS), no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Efésios 5:18 – Parêntese meu).
Observe que Paulo usa nesse texto a mesma palavra grega “oinos” que foi usada em João 2:10. E Paulo está falando claramente sobre não se embriagar com “oinos” (vinho), ou seja, claramente um vinho alcoólico.
Aqui temos um indicativo bastante forte de que havia sim teor alcoólico nesse vinho “oinos” mencionado em ambos os textos. Mas será que esses seriam textos isolados?
(4) Além disso, temos, por exemplo, Paulo usando novamente essa palavra na sua lista de qualificações para diáconos:
“Semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho (OINOS), não cobiçosos de sórdida ganância” (1 Timóteo 3:8 – parêntese meu).
Observe que Paulo usa novamente “oinos”. Não faria sentido essa recomendação se Paulo não tivesse em mente que o diácono deveria ter cuidado com essa bebida alcoólica muito comum em seu tempo.
Se fosse apenas suco de uvas (mosto – suco de uva antes da fermentação) não haveria sentido para tal recomendação do apóstolo nas qualificações dos líderes.
(5) Assim, percebemos claramente que as menções que analisamos são de vinho com teor alcoólico. No entanto, não sabemos ao certo se com baixo teor alcoólico, o que facilitaria o controle da pessoa contra a embriaguez, ou mesmo, como alguns afirmam, que esse vinho poderia ser uma bebida suavizada com água, o que pode sim ser possível, visando facilitar o cumprimento das leis que proibiam veementemente a embriaguez.
Cabe ressaltar que essas informações não devem ser para nós um tipo de “passe livre” para usarmos bebidas alcoólicas sem reflexão em nossos dias.
Sobre esse tema, escrevi um estudo que te convido a ler: 6 objeções contra crentes que bebem bebidas alcoólicas.
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