Por que Paulo disse que a Lei foi entregue por anjos? (Gálatas 3:19 explicado)

Postado por Presbítero André Sanchez, em #VocêPergunta |

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Você Pergunta: Presbítero, por que, em Gálatas 3:19, Paulo diz que a lei foi promulgada (entregue por anjos)? Quando leio o Velho Testamento, não consigo perceber anjos entregando a lei de Deus. Então, o que Paulo quis dizer nessa passagem? Agradeço muito pelos estudos que você vem fazendo para nos ajudar!

Uma dúvida muito interessante surge quando lemos a carta de Paulo aos Gálatas. A pergunta é bem interessante: se no Antigo Testamento não vemos anjos entregando a lei, por que Paulo afirma isso em Gálatas 3:19?

Antes de responder diretamente, precisamos olhar para o contexto da carta. Isso é essencial para entender o argumento do apóstolo Paulo.

Paulo estava enfrentando um grupo chamado de judaizantes. Essas pessoas defendiam que os cristãos deveriam voltar a praticar elementos da antiga aliança, especialmente partes da lei de Moisés, como se isso fosse necessário para a salvação (por exemplo, a circuncisão).

Ou seja, eles queriam trazer conceitos da antiga aliança e inseri-los na nova aliança estabelecida por Cristo. Porém, após a obra redentora de Jesus, esse tipo de elemento da lei já não tinha mais o mesmo papel.

Dentro dessa discussão, Paulo apresenta um argumento importante sobre a aliança que Deus fez com Abraão. Essa aliança foi estabelecida muito antes da lei de Moisés. Isso levanta uma pergunta natural: se já existia uma promessa feita por Deus, qual foi então o papel da lei? Ela não significa nada?

Paulo responde exatamente a essa questão no versículo que estamos analisando:

“Qual, pois, a razão de ser da lei? Foi adicionada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem se fez a promessa, e foi promulgada por meio de anjos, pela mão de um mediador” (Gálatas 3:19).

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Agora, vamos entender cada pedacinho desse verso, em detalhes…

Qual, pois, a razão de ser da lei?

Uma das acusações que os adversários de Paulo faziam contra ele era que ele menosprezava a lei de Moisés.

Como Paulo ensinava que a salvação vinha pela graça mediante a fé em Cristo, muitos o acusavam de diminuir a importância da lei.

Por isso, Paulo começa levantando uma pergunta retórica: qual é a razão de ser da lei?

Em outras palavras, ele está dizendo: a lei tem sim um propósito. Ela não é inútil nem irrelevante. O problema é que seus opositores estavam atribuindo à lei um papel que ela nunca teve.

Eles estavam tratando a lei como se ela fosse o caminho para a justificação diante de Deus. Porém, segundo Paulo esclaresse, esse nunca foi o objetivo da lei dentro do plano de Deus.

Portanto, a lei teve um papel dentro da história da redenção, mas não é o que a maioria das pessoas pensa: A lei não foi dada para salvar as pessoas!

Foi adicionada por causa das transgressões

Paulo explica que a lei foi adicionada por causa das transgressões humanas.

A palavra “transgressões” usada aqui traz a ideia de “desviar-se do caminho correto”. É como alguém que sai de uma estrada segura e passa a caminhar por um caminho errado.

A função da lei foi justamente tornar claro qual era o caminho certo.

Antes da lei, os homens já eram pecadores. O pecado já existia. Porém, a lei trouxe uma definição clara daquilo que Deus exige. Ela tornou evidente o pecado humano.

Assim, as transgressões passaram a ser claramente identificadas. A lei funcionou como um padrão objetivo que mostrou o quanto o ser humano está distante da santidade de Deus.

Quando a lei revelou o padrão divino, também revelou algo muito importante: nenhum ser humano consegue obedecer perfeitamente a todas as exigências de Deus.

É exatamente por isso que a lei não poderia salvar. Ela mostra o problema, mas não resolve o problema.

O evangelho, por sua vez, revela a solução: a graça de Deus em Cristo. Somente a graça pode tratar o problema do pecado humano, porque nenhum homem consegue ser 100% obediente a todas as leis de Deus.

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Até que viesse o descendente a quem se fez a promessa

Paulo continua dizendo que a lei tinha um caráter temporário. Ela existia “até que viesse o descendente”. Esse descendente, obviamente, é Cristo.

Aqui Paulo conecta novamente a promessa feita a Abraão. Deus prometeu que, por meio da descendência de Abraão, todas as famílias da terra seriam abençoadas.

Essa promessa encontra seu cumprimento pleno em Jesus Cristo. Portanto, a lei teve um papel dentro da história da redenção, mas ela não é o centro do plano de Deus.

Cristo é o centro. Tudo converge para Ele. Sem Ele não haveria salvação!

As promessas feitas a Abraão apontavam para Cristo. A lei serviu como um instrumento pedagógico dentro desse processo, mas não como o meio final de salvação.

E foi promulgada por meio de anjos

Agora chegamos ao ponto que mais gera dúvidas. Paulo afirma que a lei foi promulgada por meio de anjos. Porém, quando lemos o Antigo Testamento, não encontramos uma descrição clara de anjos entregando a lei no monte Sinai.

Essa dificuldade é real. A única possível referência indireta aparece em Deuteronômio:

“Disse, pois: O SENHOR veio de Sinai, e lhes alvoreceu de Seir; resplandeceu desde o monte Parã e veio das miríades de santos; à sua direita havia para eles o fogo da lei” (Deuteronômio 33:2).

Muitos estudiosos entendem que essa passagem pode fazer referência à presença de seres celestiais acompanhando a manifestação de Deus no Sinai. Seria uma teofania, ou seja, uma manifestação visível de Deus acompanhada por seus mensageiros celestiais.

Além disso, o Novo Testamento apresenta essa mesma ideia em outros textos. Estêvão, em seu discurso diante do Sinédrio, declarou:

“vós que recebestes a lei por ministério de anjos e não a guardastes” (Atos 7:53).

Outro texto importante aparece na carta aos Hebreus 2:2, que também faz referência à lei transmitida por meio de anjos.

Essas referências mostram que, no entendimento de alguns judeus do primeiro século, a lei foi entregue com participação de anjos como agentes da revelação do Senhor.

É muito provável que essa fosse uma interpretação já presente entre mestres rabinos da época.

Se for esse o caso, Paulo está utilizando um entendimento amplamente aceito entre os judeus para construir seu argumento. Ele apela para um senso comum entre seus leitores.

Mas por que ele quis falar sobre anjos entregando a Lei? Você já vai entender…

Pela mão de um mediador

Paulo acrescenta ainda outro detalhe: a lei foi entregue “pela mão de um mediador”. Esse mediador é Moisés.

Moisés foi o agente humano por meio do qual Deus transmitiu a lei ao povo de Israel. Esse era um fato aceito por todos os judeus.

Assim, o argumento de Paulo ganha força: a lei foi transmitida por meio de intermediários, tanto anjos quanto um mediador humano. Isso teve sua importância. Mas e o Evangelho?

Já o evangelho foi revelado diretamente pelo Filho de Deus. Isso mostra a superioridade da revelação em Cristo. O evangelho não é uma mensagem transmitida por intermediários. Ele vem do próprio Messias, portanto, é superior!

O lugar correto da lei no plano de deus

Perceba o objetivo final de Paulo. Ele não está desprezando a lei. Ele está colocando a lei em seu devido lugar dentro do plano de Deus.

A lei teve sua importância. Ela revelou o pecado e preparou o caminho para a vinda de Cristo.

Mas ela não é o centro da história da redenção. Cristo é!

Por isso, exigir que cristãos retornem às práticas da lei como condição espiritual é inverter a ordem estabelecida por Deus.

Foi exatamente esse erro que Paulo combateu na carta aos Gálatas.

Quando entendemos o papel da lei e o papel do evangelho, percebemos a beleza do plano de Deus: a lei mostrou nossa necessidade de salvação, e Cristo veio trazer essa salvação de forma completa.

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