O que significa, na prática, abandonar o primeiro amor (e como recuperá-lo)?

Postado por Presbítero André Sanchez, em #VocêPergunta |
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Você Pergunta: Presbítero, há uma frase no livro de Apocalipse que muita gente repete, mas eu nunca vi alguém explicando de forma clara, na prática: o que significa, de forma prática, abandonar o primeiro amor, expressão dita por Jesus em Apocalipse 2:4?

Nem todas as expressões da Bíblia chegam a nós com um manual de instruções. Muitas vezes as palavras do texto exigem que voltemos ao contexto (histórico, literário e pastoral) para encontrar a aplicação correta. 

É o caso da advertência de Jesus à igreja de Éfeso: “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.” (Apocalipse 2:4).

Vale lembrar que essa igreja foi plantada por Paulo, recebeu o ministério de Timóteo, e a tradição patrística indica que o apóstolo João esteve muito ligado a ela; escritos extrabíblicos citam ainda figuras como Maria, congregando naquela comunidade. 

Tudo isso mostra: não estamos diante de uma igreja apóstata, que abandonou seu amor por Jesus, mas de um corpo de crentes que, apesar do trabalho e da fidelidade doutrinária, sofreu um esfriamento no relacionamento. 

Vamos entender, com simplicidade e profundidade, o que Jesus quis dizer e o que isso significa para nós hoje.

Elogios e diagnóstico: por que a repreensão surpreende

No início da carta o próprio Cristo elogia Éfeso por suas obras, sua perseverança e por ter rejeitado falsos apóstolos (Apocalipse 2:2-3). 

Ou seja: a igreja trabalhava, defendia a verdade e era ativa. Ainda assim, Jesus aponta o problema central: o abandono do primeiro amor. 

Isso nos ensina algo importante: boas obras e fidelidade à doutrina não substituem o relacionamento vivo com Cristo. Podemos ser firmes na doutrina e nos ministérios e, mesmo assim, ter o coração ficando insensível espiritualmente.

Primeiro amor: que imagem Jesus usa?

Jesus costuma comparar a igreja à noiva e a si mesmo ao noivo. Nesse quadro, “primeiro amor” remete à paixão inicial, à intimidade e à entrega desinteressada que caracteriza o início de um casamento ou de uma conversão. 

Outra possibilidade é que o termo englobe tanto o amor a Cristo quanto o amor fraternal. A dureza no trato doutrinário e a vigilância contra heresias podem ter tornado o coração da comunidade menos caloroso para com as pessoas: combater a falsidade não deveria esfriar a caridade. 

É como se a igreja entrasse em um modelo de “defesa” que a atrapalhasse a amar em plenitude!

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Características do “primeiro amor” (e como se perde)

Podemos identificar traços que acompanham aquele amor inicial: submissão genuína, amor sacrificial, fervor na oração e na adoração, desejo de estar com o Senhor, e amor fraternal (pelo próximo) prático.

Quando esses traços desaparecem, o amor “esfria”: rotinas assumem o lugar do avivamento, problemáticas administrativas substituem o tempo de intimidade, o zelo por controvérsias teológicas toma o lugar do cuidado pastoral. 

Assim, abandonar o primeiro amor é um processo, não um ato isolado: é deixar morrer a paixão, negligenciar a intimidade e reduzir o cristianismo a tarefas mecânicas.

A resposta de Jesus é direta: “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e pratica as primeiras obras” (Apocalipse 2:5). 

Três verbos simples e práticos: lembrar (reavivar a memória espiritual), arrepender-se (mudar de direção interior) e praticar (retomar ações que expressavam o amor inicial). 

A advertência traz ainda uma consequência séria: se a igreja não se arrepender e mudar, ela perderia a razão de ser! Não seria mais necessária naquele lugar. Seria removida!

Isso tudo nos abre oportunidade para repensar como temos sido como igreja. Algumas aplicações podem ser tiradas dessa advertência de Jesus:

Aplicações práticas para restaurar o primeiro amor

Memória intencional: resgatar como foi o encontro pessoal com Cristo: escrever testemunhos, partilhar em pequenos grupos, reler o “primeiro tempo” para recuperar afeto.
Arrependimento concreto: confessar formas de dureza, legalismo ou negligência afetiva e buscar reconciliação com irmãos feridos.
Priorizar a intimidade: reinstituir práticas que alimentam o amor — leitura bíblica devocional, oração prolongada, adoração comunitária que não seja apenas programática.
Prática do amor ativo: hospitalidade, visitas, servir sem olhar a quem; pequenos gestos cotidianos reaquecem o coração.
Equilíbrio entre fé e amor: manter a fidelidade doutrinária sem permitir que ela apague a compaixão. O combate à heresia deve vir acompanhado de ternura pastoral.
Missão e ação compartilhada: projetos de serviço social, evangelismo relacional e discipulado restauram zelo e propósito.

Por que isso importa para nós hoje

Abandonar o primeiro amor não é apenas um problema histórico de Éfeso: é um risco permanente para qualquer igreja e para cada cristão. 

Quando o amor esfria, a comunidade perde poder espiritual e o indivíduo perde alegria. A cura passa por relembrar, arrepender e reengajar! Tudo isso guiado por práticas simples e decisões reais.

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