Por que Provérbio 22:6 mente, dizendo que a criança nunca se desviará?

Postado por Presbítero André Sanchez, em #VocêPergunta |
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Você Pergunta: Presbítero, em Provérbios 22:6 é ensinado que, se você ensinar a criança no caminho em que deve andar, ainda quando for velha, não se desviará dele. Tenho muita dificuldade de entender esse texto, pois ele parece ensinar algo que não é verdade. Eu mesmo já conheci muitos amigos que tiveram boa educação, com pais que eram de Deus, e se desviaram de Deus. Como entender esse verso?

A pergunta sobre Provérbios 22:6 é mais comum do que parece, e isso acontece porque muita gente lê esse texto de maneira totalmente equivocada, imaginando que ele ensina coisas que, na verdade, ele não ensina. 

Antes de avançarmos, precisamos “limpar o terreno”, entender algumas coisas que esse texto não ensina. 

Esse texto não ensina que 100% das crianças ensinadas “no caminho” jamais se desviarão dele. Vou explicar mais sobre isso na sequência. 

Ele também não está falando de salvação, como se o simples fato de receber uma boa educação de um adulto garantisse conversão ou perseverança espiritual. 

Além disso, Provérbios 22:6 não resume todo o ensino bíblico sobre educação, evangelização e testemunho aos filhos; ele é como uma chama que acende uma fogueira muito maior de responsabilidades, práticas e esforços contínuos dos pais e também de responsabilidades da própria criança ao crescer. 

Por fim, o texto não transfere aos pais a culpa pelos pecados dos filhos: escolhas pessoais existem, e cada um responderá diante de Deus por elas. 

Vamos relembrar o verso: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Provérbios 22:6). 

É essencial lembrar que estamos lidando com um provérbio, e provérbios não são promessas absolutas, mas declarações de sabedoria baseadas em padrões observáveis da vida. 

Eles apontam para o que normalmente acontece quando certos princípios são praticados, não para garantias mecânicas e infalíveis.

Ditas essas coisas, estamos agora mais bem preparados para entender o ensino bíblico presente nesse provérbio.

Quem é a criança e por que ela precisa ser ensinada no caminho

Comecemos pelos ensinos mais objetivos. A criança é uma pessoa de pouca idade, ainda debaixo do cuidado de um adulto, porque está “engatinhando” no conhecimento da sabedoria. 

Seu coração é facilmente influenciado pela tolice, como o próprio livro de Provérbios ensina em vários momentos:

“A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela” (Provérbios 22:15). 

Por isso, o texto coloca sobre o adulto a responsabilidade de ensinar. O ensino “no caminho” não se limita a palavras ou instruções ocasionais e teóricas; ele envolve presença, exemplo, correção, encorajamento e orientação constante, abrangendo as diversas áreas da vida, inclusive a espiritual.

Ensinar “no caminho” aponta para uma educação vivencial. Não é apenas indicar uma rota, mas caminhar junto, mostrando como se vive segundo a sabedoria. 

O adulto que ensina assume que sua dedicação produzirá frutos na vida da criança, capacitando-a a não se desviar daquilo que é correto. 

Esse é o foco e o desejo de quem educa segundo o temor do Senhor. O provérbio enfatiza essa expectativa positiva: quem ensina deve fazê-lo crendo que o ensino dará certo, e não com cinismo ou desesperança.

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Imagine alguém ensinando a criança pensando que vai dar errado? Certamente, a qualidade desse ensino será ruim! O ensino tem sempre como base uma intenção positiva! É assim que deve ser, é assim que Provérbios 22:6 apresenta essa orientação.

Não é uma garantia de que o “ensinar no caminho”, sozinho, vai gerar sempre resultados 100% positivos. Mas é um estímulo de que esse é o melhor caminho a se trilhar e poderá sim gerar esse fruto se algumas outras condições forem atendidas!

O papel do educador e os limites do ensino

O educador que cumpre esse propósito ajuda a criança a desenvolver critérios para tomar boas decisões. 

No entanto, aqui precisamos reconhecer algo que Provérbios 22:6 não diz explicitamente: a criança, quando cresce, pode escolher ignorar o ensino recebido. 

Isso não invalida o ensino; revela, sim, a realidade da responsabilidade individual. A sabedoria pode ser rejeitada, mesmo quando foi bem ensinada. É isso que o contexto do próprio livro de Provérbios ensina.

É justamente por isso que o próprio livro de Provérbios foi escrito com o objetivo de instruir jovens e simples. O texto declara que sua finalidade é dar prudência aos inexperientes: 

“para dar aos simples prudência, e aos jovens conhecimento e bom siso” (Provérbios 1:4). 

Além disso, o livro reconhece que até quem foi instruído pode se esquecer da sabedoria. Daí o apelo insistente: “Filho meu, não te esqueças dos meus ensinos, e o teu coração guarde os meus mandamentos” (Provérbios 3:1). 

Se o ensino correto “no caminho” blindasse automaticamente alguém contra o desvio, tais advertências seriam desnecessárias.

O fato de existirem mostra que o desvio é possível, ainda que indesejável. Esse pai, que ensina o filho no caminho, admoesta o filho a não se esquecer dos ensinos! Veja que existe uma parte da criança em crescimento, ou seja, que ela precisará fazer!

Portanto, Provérbios 22:6 não ensina uma mentira nem algo impossível. Ele apresenta um ideal a ser perseguido: ensinar com proximidade, constância e intenção. 

Quando esse ensino é internalizado e – abraçado pela criança –  ao longo de seu crescimento, os frutos aparecem. Esse é o cenário positivo que o provérbio descreve e que todos os pais devem almejar. 

Contudo, um cenário negativo também pode ocorrer, e ignorá-lo é ingenuidade, não fé.

O exemplo de Salomão e a responsabilidade pessoal

Um exemplo marcante é o do próprio Salomão. Ele foi instruído diretamente por Deus e recebeu sabedoria como dom especial, mas decidiu não colocar em prática tudo o que sabia. 

Apesar de escrever extensamente sobre a sabedoria, desviou-se severamente por suas escolhas. Vamos relembrar um dos seus desvios?

“Salomão seguiu a Astarote, deusa dos sidônios, e a Milcom, abominação dos amonitas” (1 Reis 11:5).

Isso demonstra que conhecimento e instrução não anulam a liberdade moral de cada um em fazer suas escolhas. O ensino estava lá; a decisão de obedecer ou não foi dele.

Assim, Provérbios 22:6 deve motivar pais e responsáveis a buscar o melhor cenário possível – SEMPRE! A mentalidade correta é esta: “Eu vou ensinar no caminho para que ele não se desvie”

O foco não está no controle absoluto do futuro, mas na fidelidade presente. Ensinar bem é um dever; perseverar no caminho é uma escolha que, mais tarde, caberá ao filho.

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