Você não vai reconhecer seus parentes no céu?

Postado por Presbítero André Sanchez, em #VocêPergunta |

Você já abriu a Bíblia e pensou: “Eu não estou entendendo nada disso”?

Isso acontece com muita gente! Já passei por isso também!

A pessoa quer conhecer a Palavra, mas não sabe por onde começar. Lê um livro hoje, outro amanhã, assiste a um estudo sobre um assunto diferente e acaba acumulando informações sem conseguir enxergar a conexão entre elas.

O problema pode não ser falta de interesse. Pode ser falta de direção.

No Método Texto na Tela – Conheça sua Bíblia de Capa a Capa, você percorre a Bíblia de Gênesis a Apocalipse, em uma sequência organizada, aprendendo a compreender textos, contextos, interpretações, conexões e aplicações práticas.

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Agora vamos ao estudo de hoje...

Espero que seja bênção em sua vida!

Você Pergunta: Presbítero, eu sou um homem de 65 anos, já perdi meu pai, minha mãe e também um irmão. Sou servo de Deus e tive oportunidade de evangelizar cada um deles, mas tenho uma angústia no coração: quando eu morrer, vou reencontrá-los no céu e reconhecê-los e eles a mim, ou nossos laços aqui da terra serão todos esquecidos na eternidade?

Essa é uma daquelas perguntas que mexem profundamente com o coração. Principalmente quando já perdemos pessoas que amamos. Um pai, uma mãe, um irmão, um amigo querido…

E quando pensamos na eternidade, uma pergunta acaba aparecendo: quando eu morrer e estiver com Deus, vou reconhecer essas pessoas? Elas também vão me reconhecer? Ou vou conhecer pessoas como Adão, Moisés e outros?

A primeira coisa que precisamos deixar muito clara é esta: a Bíblia não possui um texto dizendo diretamente: “Sim, todos os salvos reconhecerão uns aos outros no céu”.

Não existe um versículo que responda à pergunta dessa maneira tão objetiva. Mas isso não significa que a Bíblia não nos dê pistas.

Pelo contrário. Quando reunimos alguns textos bíblicos, encontramos elementos bastante interessantes que nos ajudam a compreender essa questão.

É claro que um dia saberemos tudo isso por experiência própria. Quando estivermos diante de Deus, não precisaremos mais perguntar como será, iremos viver a realidade preparada pelo Senhor.

Mas, enquanto estamos aqui, quem não gostaria de saber se vai reencontrar no céu aquele pai que morreu? Aquela mãe? Um irmão? Um amigo?

E, convenhamos, quem não gostaria de encontrar Adão e dar uma bela dura nele? “Adão, meu amigo, precisava comer aquela fruta?” (risos).

A questão é: será que nossa identidade e nossas memórias continuarão existindo na eternidade?

Você gostaria, nesse momento, de abrir agora a sua Bíblia em qualquer texto, e:

-Entender qualquer texto?
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Eu criei o método texto na tela (de Gênesis a Apocalipse) de estudo Bíblico para fazer você, já nas primeiras aulas, conseguir crescer em tudo isso! Veja aqui como funciona!

A Bíblia fala muito sobre a eternidade, mas pouco sobre seus detalhes

A Bíblia fala bastante sobre a vida eterna, o céu, a ressurreição e a presença de Deus. Porém, ela não nos fornece muitos detalhes sobre todos os pormenores de como será nossa existência futura.

Não sabemos exatamente como será cada aspecto dessa nova realidade nem todos os detalhes das transformações pelas quais passaremos.

Sabemos, entretanto, que haverá uma transformação extraordinária.

Paulo explica que nosso corpo será transformado para uma condição completamente diferente da atual:

“num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1 Coríntios 15:52).

Portanto, não estamos falando simplesmente de continuar vivendo eternamente com o mesmo corpo, sujeito à doença, ao envelhecimento e à morte.

Haverá transformação e ela será incrível. Mas também não sabemos tantos detalhes sobre ela (eu terei um corpo de criança, de velho, de alguém com 18 anos?).

Entender essa transformação é fundamental para entendermos também a questão das nossas memórias, relacionamentos e da maneira como enxergaremos a realidade.

O problema de Apocalipse 21:4

Existe uma interpretação que afirma ser impossível reconhecermos pessoas no céu. Um dos argumentos utilizados é justamente este:

“E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Apocalipse 21:4).

O raciocínio é o seguinte: se reconhecermos pessoas que amamos e algumas delas não estiverem conosco na eternidade, isso poderia produzir tristeza.

Se haverá “nem pranto, nem dor”, então, segundo essa interpretação, seria necessário que não tivéssemos mais lembranças ou reconhecimento das pessoas que ficaram para trás.

É um argumento que merece ser considerado.

Mas existe um problema: ele pressupõe que a nossa maneira de pensar e sentir continuará exatamente igual à atual.

E a própria Bíblia fala de transformação.

Se Deus transformará nosso corpo e nossa realidade, por que deveríamos pressupor que nossa percepção das coisas permanecerá exatamente como é hoje?

Paulo continua dizendo:

“Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória.” (1 Coríntios 15:53-54).

A nova realidade não pode ser interpretada simplesmente com os critérios da velha realidade.

Hoje somos seres imperfeitos, sujeitos à dor, ao pecado, às limitações emocionais e físicas e até de conhecimento. Na eternidade, Deus completará sua obra em nós.

Por isso, não é necessário concluir que reconhecer alguém no céu produzirá necessariamente e obrigatoriamente sofrimento.

Pode ser exatamente o contrário.

Talvez Deus nos permita reconhecer as pessoas sem que isso produza qualquer dor, porque estaremos finalmente enxergando tudo sob uma perspectiva perfeita.

Vamos nos reconhecer no céu?

Aqui chegamos à minha compreensão pessoal do assunto: creio que sim, vamos nos reconhecer no céu.

Não digo isso porque exista um versículo que apresente essa afirmação literalmente. Digo porque, quando reunimos os elementos bíblicos, considero essa interpretação bastante coerente.

Um dos textos que chama atenção está em Lucas 16.

Na história contada por Jesus sobre o rico e Lázaro, ambos morrem. O rico vai para um lugar de tormento, enquanto Lázaro está junto de Abraão.

E observe o que acontece:

“No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio.” (Lucas 16:23).

O rico reconhece Lázaro. Mais do que isso: reconhece também Abraão.

Isso demonstra, dentro da narrativa apresentada por Jesus, que existe reconhecimento de pessoas após a morte.

É verdade que existe uma discussão entre estudiosos sobre se Lucas 16:19-31 deve ser entendida como uma parábola ou como uma descrição de uma realidade apenas. Essa discussão merece um estudo próprio.

Mas existe algo importante aqui: Jesus não precisaria construir seu ensino utilizando uma realidade completamente absurda (até mentirosa) ou sem qualquer correspondência com a realidade espiritual.

Mesmo que a passagem seja entendida como parábola, os elementos utilizados por Jesus para transmitir sua mensagem não podem ser simplesmente descartados sem análise.

O texto, no mínimo, mostra que a ideia de identidade e reconhecimento após a morte não é estranha ao ensino de Jesus.

A vida eterna será uma continuidade, não um apagamento da nossa história

Existe ainda outro ponto que considero muito importante.

A vida eterna não aparece na Bíblia como se Deus simplesmente apagasse tudo aquilo que fomos e começasse uma existência completamente desconectada da nossa história.

Pense nos galardões prometidos nas Escrituras.

Como receberemos esses galardões se não soubermos absolutamente nada da nossa caminhada com Deus?

Como glorificaremos o Senhor por aquilo que Ele fez em nossa vida se não tivermos consciência dessa história?

Seria como um atleta chegar ao pódio, receber uma medalha e perguntar:

“Mas por que estou recebendo isso?”

Imagine alguém que lutou, treinou, venceu e chegou ao final da competição, mas, no momento da premiação, não consegue sequer lembrar o que aconteceu.

Parece estranho, não é?

Da mesma forma, considero difícil imaginar a eternidade como um lugar onde nossa história simplesmente desaparece inteiramente.

Nós continuaremos sendo nós. Transformados, glorificados, livres do pecado e da morte, mas ainda nós.

E isso é importante: a transformação não significa destruição da nossa identidade.

Deus não precisa apagar nossa história para acabar com nossa dor.

Ele pode transformar-nos de tal maneira que aquilo que hoje nos causa sofrimento seja contemplado por nós de uma maneira completamente diferente.

Então vou reconhecer meu pai, minha mãe e meu irmão?

Minha resposta, à luz desses elementos bíblicos, é: creio que sim.

Não posso afirmar isso como uma doutrina explicitamente declarada em um único versículo. A Bíblia não responde à pergunta dessa maneira direta.

Mas temos boas pistas: haverá ressurreição, transformação, continuidade da nossa identidade e, na narrativa de Jesus, encontramos reconhecimento de pessoas após a morte.

Portanto, considero coerente crer que, na presença de Deus, reconheceremos aqueles que também estiverem ali.

Como Deus fará isso exatamente? Não sabemos. Mas sabemos que será perfeito.

E esse, para mim, é justamente o ponto mais bonito: aquilo que hoje poderia produzir lágrimas, na eternidade não produzirá mais dor.

João escreveu:

“E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Apocalipse 21:4).

Deus não promete apenas que teremos novas pessoas ao nosso redor. Ele promete uma realidade completamente nova.

Por isso, para aquele irmão de 65 anos que perdeu o pai, a mãe e o irmão, existe uma esperança que podemos sustentar biblicamente: se eles estiverem com Cristo, nossa separação não será para sempre.

E, quando finalmente estivermos diante do Senhor, a eternidade não será um lugar onde esqueceremos quem fomos e quem amamos.

Será o lugar onde tudo aquilo que Deus fez finalmente encontrará sua plenitude.

Talvez, naquele dia, você olhe para seu pai, para sua mãe, para seu irmão e pense:

“Agora entendo por que valeu a pena esperar.”

E, acima de tudo, todos nós olharemos para Cristo e compreenderemos que Ele sempre foi o centro de toda a história.

Os bereanos foram elogiados por Paulo porque examinavam as Escrituras todos os dias.

Eles não apenas ouviam… eles se dedicavam.

Hoje, muitos até ouvem bons estudos… mas poucos têm constância no aprendizado.

E isso faz toda a diferença.

A minha comunidade (Comunidade André Sanchez) é para quem deseja sair da superficialidade e crescer de forma contínua na Palavra.

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