Terremotos frequentes: Sinal de que Jesus está voltando em breve?

Postado por Presbítero André Sanchez, em #VocêPergunta |

Você já abriu a Bíblia e pensou: “Eu não estou entendendo nada disso”?

Isso acontece com muita gente! Já passei por isso também!

A pessoa quer conhecer a Palavra, mas não sabe por onde começar. Lê um livro hoje, outro amanhã, assiste a um estudo sobre um assunto diferente e acaba acumulando informações sem conseguir enxergar a conexão entre elas.

O problema pode não ser falta de interesse. Pode ser falta de direção.

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Agora vamos ao estudo de hoje...

Espero que seja bênção em sua vida!

Você Pergunta: Presbítero, tenho crises de ansiedade e, nestes últimos dias, com tantas notícias de terremotos (Venezuela, Colômbia e outros), fico apreensivo ao pensar que já estamos no fim dos tempos, pois Jesus disse que haveria terremotos em diversos lugares. Estamos mesmo tão perto da vinda do Senhor Jesus como parece? Ajude-me a entender essa questão e a acalmar meu coração!

Quando aparecem guerras, terremotos, fome ou algum acontecimento extraordinário muito noticiado, imediatamente alguém olha para Mateus 24 e diz: “Está acontecendo! Jesus está voltando em pouco tempo!”

Mas será que é isso mesmo que Jesus ensinou ali? Para entender, precisamos observar suas palavras:

“Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares” (Mateus 24:7).

O raciocínio parece simples: Jesus falou de terremotos em vários lugares; hoje temos muitos terremotos sendo noticiados; portanto, a volta de Cristo está muito próxima.

O problema é que essa conclusão vai além daquilo que o texto bíblico permite afirmar.

Os próprios discípulos tinham essa preocupação (e curiosidade). Depois da ressurreição, perguntaram a Jesus se aquele seria o momento da restauração do reino. A resposta do Senhor foi muito clara:

“Respondeu-lhes: Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade” (Atos 1:7).

Perceba a força dessas palavras. Jesus não entregou aos discípulos uma fórmula para calcular a proximidade de sua volta. Ele deixou claro que há tempos e épocas que pertencem à autoridade do Pai.

Portanto, precisamos ter cuidado quando alguém olha para terremotos e afirma:

“Isso só pode significar que está bem perto a volta de Cristo”. A verdade é que não sabemos esse tempo e os terremotos têm outra finalidade nos sinais mencionados por Jesus e vou te mostrar na sequência!

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Terremotos não significam que Jesus voltará amanhã

Existe um detalhe em Mateus 24 que muda completamente a maneira como devemos interpretar esses acontecimentos.

Depois de mencionar guerras, fomes e terremotos, Jesus acrescenta:

“porém tudo isto é o princípio das dores” (Mateus 24:8).

A linguagem figurada aqui é de comparação com uma mulher que começa a ter as contrações que indicam que o parto irá acontecer em breve! Jesus está falando da indicação de que o fato irá acontecer e os sinais serão perceptíveis!

Aqui está um ponto fundamental que muitos ignoram lendo o verso anterior de forma isolada.

Jesus não disse que cada terremoto seria uma espécie de contagem regressiva indicando que sua volta aconteceria imediatamente. Ele apresentou esses acontecimentos como parte do “princípio das dores”.

É claro que isso não significa que os acontecimentos do mundo sejam irrelevantes para a escatologia (a doutrina que estudas as últimas coisas).

A Bíblia afirma que a história caminha para um desfecho determinado por Deus. Porém, não temos autorização bíblica para transformar cada terremoto em um indicador cronológico para ficarmos adivinhando datas.

Portanto, mesmo que aconteçam vários terremotos em diferentes regiões do mundo, não podemos concluir: “Jesus volta amanhã”, “Jesus volta daqui a um ano” ou “agora sabemos que estamos na última semana”.

Essa é justamente a armadilha de tentar transformar profecia em calendário preciso.

Ainda existem acontecimentos proféticos que não podemos ignorar

Dentro de uma leitura cuidadosa das profecias bíblicas, existem acontecimentos relacionados ao período final que ainda aguardamos. Um exemplo é a manifestação das figuras representadas pelas bestas em Apocalipse 13 (temos ali duas bestas citadas, que são o anticristo e o falso profeta).

Sobre uma delas, João escreveu:

“Vi ainda outra besta emergir da terra; possuía dois chifres, parecendo cordeiro, mas falava como dragão” (Apocalipse 13:11).

Esse personagem participa de um sistema de engano e oposição a Deus descrito no capítulo 13. Dentro da escatologia bíblica, essa passagem está relacionada aos acontecimentos que antecedem o triunfo definitivo de Cristo.

Aqui precisamos ser equilibrados. A Bíblia não nos autoriza a identificar precipitadamente qualquer líder político, governante ou personalidade atual como o cumprimento definitivo dessas profecias.

Estamos falando de um tempo único na história, onde acontecimentos severos irão marcar essa época, com o aparecimento de figuras malignas.

Além disso, temos ainda muitos outros sinais que vão além de terremotos e que precisam ser considerados. Ou seja, não é simplesmente ouvir a notícia de um terremoto e concluir que já vai acontecer a segunda vinda!

Então como devemos reagir aos terremotos e às notícias assustadoras?

Talvez essa seja a parte mais importante para quem fez esta pergunta.

Jesus sabia que seus discípulos ouviriam notícias assustadoras. Ele sabia que guerras, conflitos e grandes acontecimentos poderiam produzir medo, pois mechem com nosso coração humano.

Por isso, antes mesmo de falar dos terremotos, disse:

“E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim” (Mateus 24:6).

Olhe para a ordem das palavras de Jesus: “ouvireis”, “não vos assusteis”, “ainda não é o fim”.

Isso é muito significativo.

O cristão não deve acompanhar as notícias do mundo como alguém que perdeu o controle da própria vida porque descobriu que existem terremotos acontecendo (ou outros sinais).

Também não precisamos viver procurando desesperadamente o próximo sinal para descobrir se Jesus volta nesta semana.

A Bíblia nos chama à vigilância, não à paranoia. Os discípulos de Cristo foram orientados a continuar sua missão, mesmo em meio a sinais difíceis que iriam ser vistos e vividos!

O mundo caminha para o fim, mas o desespero não combina com a fé

Existe uma diferença enorme entre reconhecer que a história caminha para o Dia do Senhor e viver aterrorizado tentando descobrir quando ele acontecerá.

Sim, Jesus voltará. Sim, a história terá um desfecho. Sim, haverá acontecimentos difíceis.

Mas a nossa esperança não está na estabilidade do planeta, na ausência de guerras ou na previsão de terremotos. Nossa esperança está no governo soberano de Deus.

Por isso, quando você assistir a uma notícia sobre um terremoto, não precisa concluir imediatamente: “Meu Deus, será que agora chegou o fim?”

Você pode pensar de outra maneira: “O mundo continua sendo um lugar marcado pela fragilidade e pelo pecado. Cristo prometeu voltar. Eu não sei quando será, mas sei em quem tenho colocado a minha confiança.”

Isso muda tudo, pois seu coração joga para longe a ansiedade e o medo! Jesus não nos chamou para descobrir a data. Chamou-nos para permanecer fiéis.

Então, se essas notícias têm alimentado sua ansiedade, volte ao texto de Mateus 24 e perceba algo precioso: quando Jesus falou sobre acontecimentos capazes de assustar seus discípulos, ele não disse “entrem em pânico”. Ele disse: “não vos assusteis”.

Não sabemos quando Cristo voltará. E, biblicamente, não precisamos saber.

O que precisamos saber é que, quando ele voltar, sua promessa será cumprida. Até lá, continuamos vivendo, servindo, anunciando o evangelho e confiando naquele que continua soberanamente no controle da história.

Os bereanos foram elogiados por Paulo porque examinavam as Escrituras todos os dias.

Eles não apenas ouviam… eles se dedicavam.

Hoje, muitos até ouvem bons estudos… mas poucos têm constância no aprendizado.

E isso faz toda a diferença.

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