Por que Jesus proibia a divulgação de seus milagres e de que ele era o Messias?

Postado por Presbítero André Sanchez, em #VocêPergunta |
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Você Pergunta: Presbítero, tem uma coisa que sempre me deixa encucado: por que, em vários momentos, Jesus mandava o pessoal não sair contando por aí os milagres que Ele fez — e até pedia pra não divulgarem que Ele era o Messias? Qual era a ideia por trás disso? Não seria melhor que todo mundo soubesse o quanto antes quem Ele realmente era?

Algumas falas de Jesus não são compreensíveis apenas analisando um único verso ou até mesmo um capítulo da Bíblia. Algumas falas precisam de um contexto mais amplo para que sejam entendidas corretamente! 

Quando Jesus manda alguém que era curado não divulgar a cura a ninguém, significava exatamente o quê? 

Para entender isso, que parece ser algo contra o pensamento lógico, precisamos analisar juntos algumas questões e faremos isso agora.

O caso do leproso: quando a cura vira distração

Vejamos inicialmente um caso de cura onde Jesus proíbe a pessoa de divulgar essa cura. Ele ocorreu quando Jesus curou um leproso

“e lhe disse: Olha, não digas nada a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para servir de testemunho ao povo” (Marcos 1:44).

Esse texto já mostra algo importante: o silêncio pedido por Jesus não era “negar o milagre”, nem “esconder o bem”, nem “proibir gratidão”. 

Era uma orientação pastoral e estratégica, com direção clara: em vez de sair falando, o homem deveria obedecer e seguir o caminho correto, conforme a Lei, apresentando-se ao sacerdote. 

Ou seja, Jesus coloca a cura dentro de um processo que também tinha valor comunitário e religioso (“para servir de testemunho ao povo”).

Em alguns casos onde Jesus fez curas, Ele pede à pessoa que não divulgue. O motivo disso parece indicar que Jesus queria, além da obediência da pessoa a qual ele impactou com um milagre, evitar atrair os chamados “caçadores de milagres”, ou seja, interesseiros que começassem a segui-Lo guiados somente pelo interesse, pessoas que iriam atrapalhar o objetivo principal do ministério de Jesus.

Jesus não veio montar um “show de curas” para alimentar curiosidade. Ele veio pregar o Reino, chamar ao arrependimento, formar discípulos e cumprir sua missão até a cruz.

Quando o milagre vira o centro de tudo, o que as outras coisas que são mais importantes viram?

“Caçadores de milagres” e o preço da desobediência

Observe que esse leproso se mostra exatamente o tipo de pessoa que Jesus queria evitar, ou seja, que quer o milagre, mas que não ouve as Suas palavras e as obedece: 

“Mas, tendo ele saído, entrou a propalar muitas coisas e a divulgar a notícia, a ponto de não mais poder Jesus entrar publicamente em qualquer cidade, mas permanecia fora, em lugares ermos; e de toda parte vinham ter com ele” (Marcos 1:45).

Veja o resultado prático: a divulgação atrapalhou o ministério. Jesus passa a não poder entrar publicamente nas cidades, ficando “fora, em lugares ermos”. Ou seja, a notícia correu, o público aumentou, mas a missão ficou mais difícil.

Isso é muito didático: nem toda “divulgação” é espiritual. Às vezes é barulho. Às vezes é desobediência travestida de “testemunho”. 

Jesus sabia que a divulgação descontrolada dos Seus milagres causaria esse tipo de dificuldade não desejada pelo menos nesse momento. 

Ele queria alcançar pessoas com fé verdadeira, não multidões movidas só pela sensação do extraordinário.

Aqui aprendemos um princípio: Jesus não é contra o testemunho; Ele é contra a inversão de prioridades. Quando o testemunho vira propaganda e a propaganda vira obstáculo, o Reino perde espaço.

Por que Jesus também proibia dizer que ele era o Cristo?

Mas além da proibição a pessoas curadas, temos ainda um outro texto onde Jesus proíbe Seus discípulos de mencionarem que Ele era o Messias. Isso ocorreu logo após a confissão de Pedro de que Jesus era o Filho do Deus vivo: 

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“Então, advertiu os discípulos de que a ninguém dissessem ser ele o Cristo” (Mateus 16:20).

Por que calar justamente a verdade central: “Ele é o Cristo”? A resposta está no tempo de Deus e na condição espiritual das pessoas. Essa proibição de Jesus tem em vista o fato de que as pessoas não estavam preparadas para saber quem Ele era de fato e de forma aberta nesse momento.

E o próprio texto mostra a confusão do povo: 

“Indo Jesus para os lados de Cesareia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas” (Mateus 16:13).

Observe como o povo tinha concepções totalmente erradas sobre Jesus, mesmo depois de tudo que Ele demonstrou no meio deles até aqui. 

Eles até reconheciam algo “grande”, mas não compreendiam corretamente. Se os discípulos saíssem anunciando “Ele é o Messias!” para um povo que pensava em categorias erradas, o resultado seria previsível: expectativas distorcidas, idolatria de agenda, confusão generalizada.

Uma pregação mais aberta agora, dizendo que Ele era o Messias, não iria ajudar os planos de Jesus de chegar até a cruz.

O risco de transformar o messias em bandeira política

Pregar abertamente que Jesus era o Messias iria criar problemas sérios para Jesus. Mas por quê? Temos que ter em mente aqui que o povo judeu esperava um messias político/guerreiro tal como Davi foi, que seria um líder que os libertaria do poder de Roma e faria deles novamente uma nação independente.

Agora imagine: se “o Messias chegou” vira um “slogan” nas ruas, rapidamente nascem movimentos, pressões, interpretações e até tentativas de usar Jesus como ferramenta. 

A história mostra que multidões podem amar um líder enquanto ele alimenta suas expectativas, e odiá-lo quando ele não as cumpre.

Mas Jesus já havia dito aos discípulos que Ele iria sofrer e morrer. O caminho de Jesus não era trono humano; era cruz. O título “Messias”, na boca errada e na hora errada, poderia acender uma fogueira perigosa: “vamos coroá-lo”, “vamos fazer dele rei”, “vamos derrubar Roma”. 

E isso iria antecipar conflitos, provocar perseguições desnecessárias antes do tempo e desviar o foco da missão.

Jesus evitou com Sua proibição que se formassem “partidos” políticos em defesa ou em crítica a Ele, o que atrapalharia Sua real missão. 

Ele preferia pregar, mostrar sinais e apontar que era o messias com Seu andar diário e não com Seus discípulos saindo por aí já divulgando essa informação e atribuindo esse título a Ele de forma aberta. Foi uma sábia escolha de Jesus.

Perceba: Jesus não estava escondendo sua identidade; Ele estava revelando-a do jeito certo. Seus sinais, suas palavras e sua santidade apontavam para quem Ele era. 

Só que a revelação completa não seria entendida sem a cruz e a ressurreição. Antes disso, “Messias” poderia ser interpretado como “rei nacionalista”; depois da cruz, “Messias” é visto como o Cordeiro que tira o pecado, o Salvador que vence pela entrega.

O que isso ensina para nós hoje?

Obediência vem antes do entusiasmo. O leproso curado nos lembra que a experiência com Jesus deve produzir submissão à sua voz, não apenas emoção.
Nem toda multidão é sinal de avivamento. Jesus sabia que ajuntamento sem entendimento vira confusão e atrapalha a missão.
A verdade precisa de contexto. Dizer “Ele é o Cristo” para quem imagina um Cristo errado pode criar um Cristo falso na mente da pessoa.
Jesus governa o ritmo da revelação. Ele não corre atrás de popularidade; Ele caminha rumo à cruz no tempo do Pai.

Quando entendemos isso, entender motivo de Jesus proibir certos tipos de divulgação fica mais claro: Jesus não estava sendo contraditório; estava sendo missionário e estratégico, preservando o foco do Reino, protegendo a mensagem e conduzindo os acontecimentos para o centro do Evangelho: sua entrega por nós.

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