A parábola das 10 minas! Uma das menos conhecidas de Jesus!

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Você Pergunta: Presbítero, há uma parábola que estive lendo estes dias e nunca havia percebido em detalhes na Bíblia: a parábola das dez minas. Pode colocá-la na sua série de parábolas explicadas verso por verso? Estou ansioso para entendê-la com muitos detalhes, da forma que você explica. Obrigado!
Antes de entrar propriamente na parábola das dez minas, precisamos enxergar o cenário onde Jesus a contou. Ele estava entrando em Jericó e atravessando a cidade quando acontece o conhecido encontro com Zaqueu. Naquele momento, Jesus já estava a menos de 30 km de Jerusalém. Esse detalhe geográfico mexeu com a expectativa dos discípulos.
Muitos deles pensavam que a manifestação gloriosa do Messias estava prestes a acontecer nos moldes que imaginavam: um libertador político, descendente de Davi, que quebraria o domínio de Roma e restauraria Israel como potência.
De certa forma, a hora decisiva estava mesmo próxima, pois a morte de Jesus na cruz se aproximava. Porém, não seria do jeito que eles esperavam.
É exatamente nesse clima de expectativa equivocada que Jesus conta a parábola das minas. Ele quer ajustar a percepção dos discípulos e prepará-los para uma realidade muito diferente da que estavam imaginando.
Parábola das minas explicada versículo por versículo
Lucas 19:11 — A expectativa equivocada do reino
“Ouvindo eles estas coisas, Jesus propôs uma parábola, visto estar perto de Jerusalém e lhes parecer que o reino de Deus havia de manifestar-se imediatamente” (Lucas 19:11).
Jesus usa mais uma de suas histórias para “arrumar” a percepção de seus discípulos. Eles estavam empolgados com a proximidade de Jerusalém e imaginavam que o reino de Deus se manifestaria imediatamente (em pouquíssimo tempo).
Mas o reino não viria nos moldes políticos que esperavam. A manifestação seria diferente e progressiva. Ainda havia cruz, rejeição, ressurreição e a missão da igreja pela frente. Ou seja, muita coisa ainda aconteceria até a manifestação plena do reino (na segunda vinda de Cristo).
A parábola nasce justamente para corrigir essa pressa espiritual dos discípulos.
Lucas 19:12 — O homem nobre parte para uma viagem
“Então, disse: Certo homem nobre partiu para uma terra distante, com o fim de tomar posse de um reino e voltar” (Lucas 19:12).
Aqui o homem nobre representa claramente o próprio Senhor Jesus. Ele parte para uma terra distante, o que já indica um intervalo de tempo (grande) entre sua partida e seu retorno.
Isso desmonta a ideia de manifestação imediata do reino. O homem seria feito rei e depois voltaria para ajustar contas.
A mensagem é clara: a missão de Jesus estava em curso, mas haveria um período de espera antes da consumação final. Essa volta demoraria um bom tempo ainda.
Lucas 19:13 — A responsabilidade dos servos
“Chamou dez servos seus, confiou-lhes dez minas e disse-lhes: Negociai até que eu volte” (Lucas 19:13).
Nesse período de tempo em que o nobre estaria em viagem, haveria trabalho a ser feito! Os servos deveriam cumprir suas ordens! É o que aconteceria no futuro, após a morte e ressurreição de Jesus!
Aqui temos um detalhe importante: esses servos não eram escravos comuns, pois receberam autonomia para negociar. Eram servos com capacidade administrativa.
Cada um recebeu uma mina. Essa moeda grega valia cem dracmas, e uma dracma correspondia ao salário de um dia de trabalho. Portanto, cada servo recebeu uma quantia significativa. Deus capacita cada um de seus servos com o necessário para realizar a obra!
A ordem foi direta: “negociai até que eu volte”. Ou seja, trabalhem, desenvolvam, façam frutificar.
A aplicação era clara para os discípulos e para nós: enquanto Cristo não retorna, seus servos devem trabalhar ativamente com o que receberam.
Lucas 19:14 — A rejeição ao rei
“Mas os seus concidadãos o odiavam e enviaram após ele uma embaixada, dizendo: Não queremos que este reine sobre nós” (Lucas 19:14).
O homem nobre enfrenta oposição. Muitos não queriam seu reinado.
Isso reflete perfeitamente o ministério de Jesus. Ele é o Rei dos reis, Sua soberania é plena e total, no entanto, em Sua missão aqui na terra, foi rejeitado por muitos do seu próprio povo. Como João registrou:
“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (João 1:11).
Os discípulos certamente perceberam essa conexão. O reino viria, sim, mas passaria por rejeição.
Lucas 19:15 — O retorno e o acerto de contas
“Quando ele voltou, depois de haver tomado posse do reino, mandou chamar os servos a quem dera o dinheiro, a fim de saber que negócio cada um teria conseguido” (Lucas 19:15).
O homem nobre volta. Isso mostra que a oposição não frustrou seus planos, não teve poder de barrá-lo em seus propósitos.
Jesus também cumpriu plenamente sua missão e retornará para o acerto de contas final. Aqui aparece um princípio forte: os servos prestarão contas do que receberam. O cristianismo bíblico sempre inclui responsabilidade e juízo. Existe graça, mas existe também juízo.
Lucas 19:16 — O servo que frutificou muito
“Compareceu o primeiro e disse: Senhor, a tua mina rendeu dez” (Lucas 19:16).
Esse servo apresenta um resultado impressionante: multiplicação de 1000%.
Ele representa aqueles que abraçam a obra de Deus com dedicação verdadeira. Não trabalham por obrigação, mas por compromisso com o Rei. É gente que faz o reino avançar de verdade, utilizando aquilo que Deus confiou em suas mãos!
Lucas 19:17 — Recompensa proporcional
“Respondeu-lhe o senhor: Muito bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, terás autoridade sobre dez cidades” (Lucas 19:17).
Observe algo interessante: a recompensa não é descanso, mas mais responsabilidade. O nobre reconhece que esse servo tinha fidelidade verdadeira!
Receber dez cidades significa oportunidade de servir ainda mais. No reino de Deus, fidelidade gera confiança, e confiança gera novas responsabilidades. Servir bem hoje abre portas maiores amanhã. Deus honra seus servos fieis, isso é uma certeza!
Lucas 19:18-19 — Fidelidade também reconhecida
“Veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco. A este disse: Terás autoridade sobre cinco cidades” (Lucas 19:18-19).
O segundo servo teve lucro menor que o primeiro, mas ainda expressivo: 500%.
O rei reconhece sua fidelidade proporcionalmente. Isso ensina algo precioso: Deus não compara resultados absolutos, mas fidelidade com o que cada um recebeu.
Quem é fiel continua sendo chamado para frutificar.
Lucas 19:20-21 — O servo negligente
“Veio, então, outro, dizendo: Eis aqui, senhor, a tua mina, que eu guardei embrulhada num lenço. Pois tive medo de ti, que és homem rigoroso; tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste” (Lucas 19:20-21).
A expectativa era alta, mas esse servo não fez nada. Apenas embrulhou a mina num lenço.
Isso revela negligência e falta de compromisso. Ele tenta se justificar culpando o medo do senhor. Ele usa até um provérbio para falar da severidade que diz que enxergava no senhor e que lhe dava medo. Será?
Na prática, é a desculpa clássica de quem não quis se envolver. Aqui temos claramente aqueles que parecem servos, mas não são de verdade!
Lucas 19:22-23 — A condenação pela própria boca
“Respondeu-lhe: Servo mau, por tua própria boca te condenarei. Sabias que eu sou homem rigoroso, que tiro o que não pus e ceifo o que não semeei. Por que não puseste o meu dinheiro no banco? E, então, na minha vinda, o receberia com juros” (Lucas 19:22-23).
Aqui está o ponto-chave: o problema não foi incapacidade, foi negligência.
Se ele realmente acreditava que o senhor era rigoroso, deveria ao menos ter colocado o dinheiro no banco (possivelmente na mão de agiotas que movimentavam o dinheiro) para render juros. Nem o mínimo fez.
A parábola nem menciona os outros sete servos restantes porque todos os cenários já foram apresentados: O cenário dos fiéis e dos infiéis.
Lucas 19:24-25 — A mina é retirada
“E disse aos que o assistiam: Tirai-lhe a mina e dai-a ao que tem as dez. Eles ponderaram: Senhor, ele já tem dez” (Lucas 19:24-25).
O que é precioso não pode permanecer nas mãos do negligente. Estamos diante de um cenário de acerto de contas final. O servo fiel recebe ainda mais responsabilidade.
O princípio não é enriquecer o rico, mas ampliar a atuação do fiel. A parábola fala, de forma central, de fidelidade!
Não sabemos ao certo quem eram essas pessoas que questionaram o nobre dar mais a quem já tinha: será que eram os personagens da parábola ou eram pessoas que estavam ali, juntamente com os discípulos, ouvindo a história? De qualquer forma, isso não é tão importante.
Lucas 19:26 — O princípio espiritual
“Pois eu vos declaro: a todo o que tem dar-se-lhe-á; mas ao que não tem, o que tem lhe será tirado” (Lucas 19:26).
No contexto, quem “tem” é quem demonstra responsabilidade e zelo pelas coisas do Senhor. Não está falando sobre ricos que ficam mais ricos!
Quem “não tem” é o negligente. Ou seja, não está falando que pobres ficam mais pobres, simplesmente por serem pobres!
O fiel será cada vez mais usado por Deus. O negligente perde até as oportunidades que recebeu. É um princípio espiritual profundo.
Lucas 19:27 — O destino dos que rejeitam o rei
“Quanto, porém, a esses meus inimigos, que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e executai-os na minha presença” (Lucas 19:27).
A parábola termina de forma forte. O princípio é claro: quem não está com Cristo está contra Cristo. O próprio Jesus ensinou isso. Como ele mesmo disse, quem comigo não ajunta, espalha (Mateus 12:30)! Esse é um recado claro aos que se opõe ao Rei dos reis: não serão esquecidos.
A rejeição ao Rei tem consequências sérias. Na história, os opositores são lembrados no final. Nossa decisão diante de Cristo é extremamente séria e terá consequências sérias!
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