Entregar a Satanás para destruição da carne! O que significa?

Postado por Presbítero André Sanchez, em #VocêPergunta |
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Você Pergunta: Presbítero, há uma frase que o apóstolo Paulo diz à igreja de Corinto que não compreendi muito bem em seu sentido prático. Ele fala em entregar uma pessoa a Satanás para destruição da carne. Essa expressão se refere a algum tipo de punição física a ser aplicada a essa pessoa ou é algo exclusivamente espiritual?

Quando Paulo fala de entregar uma pessoa a Satanás para destruição da carne, a primeira coisa que precisa ficar muito clara, já no próprio verso, é que o apóstolo não está desejando o mal dessa pessoa. 

O texto não termina na destruição da carne! Ele aponta para um objetivo maior e profundamente pastoral, observe: “a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus” (1 Coríntios 5:5).

Isso muda completamente a forma como lemos essa afirmação. Paulo não escreve movido por vingança, crueldade ou desejo de punição gratuita. 

Pelo contrário, seu alvo final é a salvação dessa pessoa! Note que ele fala “no dia do Senhor Jesus”, ou seja, ele esperava ver essa pessoa no dia final, salva na presença de Deus!

Mas, ainda assim, o caminho proposto por ele é duro e difícil. Para entender como um ato tão severo pode ter um propósito redentor (de restauração e salvação), precisamos olhar com atenção para o contexto dessa orientação.

O contexto do pecado tratado por Paulo

Paulo escreve à igreja de Corinto após tomar conhecimento de um caso extremamente grave de imoralidade pesada no meio da comunidade cristã. Ele afirma: 

“Geralmente, se ouve que há entre vós imoralidade e imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios, isto é, haver quem se atreva a possuir a mulher de seu próprio pai” (1 Coríntios 5:1).

O texto sugere que esse homem mantinha um relacionamento com sua madrasta, e não com sua mãe biológica. Não sabemos se o pai estava vivo ou se havia ocorrido um divórcio, mas, em qualquer cenário, a prática era considerada imoral tanto no judaísmo quanto entre muitos gentios.

Observe que na Lei de Moisés havia uma proibição para atos como esse: “Não descobrirás a nudez da mulher de teu pai; é nudez de teu pai” (Levítico 18:8).

Ou seja, não se tratava de um detalhe cultural irrelevante, mas de algo escandaloso aos olhos de todos. Mas essa pessoa, mesmo assim, mantinha-se nessa conduta, sem arrependimento!

A omissão da igreja diante do pecado

O problema não estava apenas no pecado em si, mas na postura da igreja diante dele. Paulo reprova duramente a atitude da comunidade cristã ao dizer: 

“E, contudo, andais vós ensoberbecidos e não chegastes a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou?” (1 Coríntios 5:2).

Em vez de tristeza, quebrantamento e correção, havia orgulho e permissividade. A liderança não tratou o caso, e a igreja, como um todo, parece ter normalizado uma prática que feria frontalmente a santidade cristã. 

Isso transformava o pecado individual em um problema comunitário. O testemunho da comunidade ficou comprometido! E isso era muito ruim para a obra de Deus.

Quando o pecado exige disciplina

Diante de um erro público, grave e persistente, sem sinais de arrependimento, a Escritura aponta para a necessidade de disciplina. O objetivo da disciplina nunca é humilhar, mas corrigir e restaurar. 

Se o infrator não compreendesse o erro nem se arrependesse após a admoestação, a exclusão da comunhão se tornava necessária.

Paulo deixa claro que, até aquele momento, não havia arrependimento. Ele afirma: “Eu, na verdade, ainda que ausente em pessoa, mas presente em espírito, já sentenciei…” (1 Coríntios 5:3).

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Aqui, Paulo exerce sua autoridade apostólica e declara o homem culpado. A sentença é explicada no verso 3 e detalhada até no verso 5 (o verso que estamos estudando).

O que significa “entregar a Satanás”?

A expressão “entregue a Satanás para a destruição da carne” não é simples e não vem explicada em detalhes no próprio texto. A igreja de Corinto, provavelmente, compreendia melhor essa linguagem, já que podia se comunicar com o apóstolo e pegar maiores pormenores.

No entanto, temos pelo menos duas possibilidades, que são levantadas pelos estudiosos, para nos ajudar a compreender essa expressão:

Primeira possibilidade: punição física sobrenatural

Alguns intérpretes entendem que Paulo estaria usando sua autoridade apostólica para aplicar um castigo especial, talvez que chegasse até no físico desse homem, com o objetivo de levar o homem ao arrependimento. 

A ideia seria semelhante a outros episódios bíblicos em que Deus permite sofrimento físico como disciplina. Embora essa interpretação exista, ela encontra dificuldades quando comparada com o padrão pastoral de Paulo. 

O apóstolo não costumava recorrer a medidas místicas punitivas dessa natureza como regra para a vida da igreja. Por isso, essa leitura parece menos consistente com o conjunto de seus escritos.

Segunda possibilidade: exclusão da comunhão cristã

A interpretação mais coerente é entender que Paulo está falando de expulsão da comunidade cristã, aquilo que tradicionalmente chamamos de excomunhão. 

Entregar a Satanás, nesse sentido, seria retirar a pessoa do ambiente de proteção espiritual, ensino e comunhão da igreja.

Fora da comunidade cristã, o indivíduo voltaria a experimentar o “mundo”, que, na teologia paulina, jaz sob influência do maligno. Essa exclusão não seria vingativa, mas pedagógica. O choque entre a vida dentro e fora da igreja poderia levá-lo a perceber a gravidade do seu pecado.

Como, aparentemente, essa pessoa parece ter recebido ensinos, está ali na igreja, seria um choque para ela enfrentar o mundo. Ela perceberia o grande erro que cometeu através do sofrimento.

Por que uma medida tão severa não é falta de amor

À primeira vista, entregar alguém a Satanás parece o oposto do amor cristão. Contudo, Paulo está lidando com alguém que persistia em uma atitude moral condenável, sem arrependimento, e que se tornava um mau testemunho para a igreja.

A disciplina tinha dois alvos claros. Primeiro, proteger a comunidade cristã, evitando que o pecado fosse normalizado. Segundo, provocar uma dor corretiva no infrator, capaz de conduzi-lo ao arrependimento. O texto deixa isso evidente ao afirmar: “a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus” (1 Coríntios 5:5).

Destruição da carne e salvação do espírito

A expressão “destruição da carne” não aponta necessariamente para morte física, mas para o quebrantamento da natureza pecaminosa, do estilo de vida dominado pelo pecado. A carne, aqui, representa a velha conduta.

Paulo nutre a esperança de que, ao experimentar sofrimento, vergonha e solidão longe da igreja, esse homem seja levado ao arrependimento genuíno. O sofrimento não é o fim, mas o meio. A salvação do espírito é o alvo final.

Portanto, não há em Paulo qualquer desejo maldoso ou vingativo. O que vemos é o exercício responsável da autoridade dentro da comunidade cristã. Ele protege a igreja, honra a santidade de Deus e, ao mesmo tempo, mantém viva a esperança de restauração daquele homem.

Entregar alguém a Satanás, nesse contexto, não é um ato de ódio, mas uma última tentativa de amor severo, que busca salvar aquilo que ainda pode ser salvo.

Para finalizar, muitos pensam que essa pessoa se converteu de seus maus caminhos. Alguns entendem que em 2 Coríntios 2:6-8, Paulo está falando dessa pessoa, pedindo que os irmãos o perdoassem, o que indica que houve mudança e arrependimento. Se isso for verdade, então, a disciplina surtiu o efeito esperado de restauração!

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