É verdade que Jesus era nazireu, o mesmo voto de Sansão?

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Você Pergunta: Presbítero, meu amigo me convidou para ir à sua igreja e, lá, ouvi o pregador dizendo que Jesus era nazireu e que esse voto estava sobre Ele. Gostaria de saber se isso é verdade biblicamente. Não consegui entender isso na pregação! Pode fazer um estudo explicando um pouco sobre essa questão de ser nazireu e se Jesus era? Desde já, agradeço!
É muito importante sermos pessoas que avaliam pregações, mensagens, vídeos, seja qualquer coisa que mencione a Bíblia, no sentido de entender se elas têm base bíblica ou não. A Bíblia nos permite fazer isso!
Por exemplo, quando Paulo pregou, os bereianos (habitantes de Bereia) foram elogiados porque não engoliram tudo “no automático”: eles conferiam, nas Escrituras, se o que estavam ouvindo era correto. Paulo elogiou esse comportamento!
Esse é um padrão saudável para todo cristão: humildade para ouvir e coragem para examinar.
Alguns pregadores têm afirmado que Jesus cumpriu o voto de nazireado de forma perfeita e plena. Mas como saber se isso está certo?
Do mesmo jeito que os bereianos faziam: examinando a Palavra, localizando o texto bíblico, entendendo suas regras e, então, comparando com a vida de Cristo.
Sempre ficamos com a palavra final nas Escrituras. Vou te ensinar como se faz isso, usando esse tema como pano de fundo.
E para começar do jeito certo, vamos olhar o texto-base do próprio voto: “Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando alguém, seja homem seja mulher, fizer voto especial, o voto de nazireu, a fim de consagrar-se para o SENHOR” (Números 6:2).
Aqui começam as orientações sobre esse voto. Vamos examinar!
Onde a Bíblia descreve o voto de nazireado
A primeira coisa a ser feita é localizar na Bíblia onde temos a descrição deste voto de nazireado detalhado. Ele está especificado em Números 6:1-21. Ali estão as regras, os limites e o funcionamento do voto.
Precisamos ler agora o que o texto exige. Para poupar tempo, eu farei um resumo com bom nível de detalhes dos pontos que não podemos ignorar, e eu vou explicá-los com clareza.
Esse voto era uma consagração especial, voluntária, por um período determinado (na maioria dos casos), com marcas externas e práticas que eram obrigatórias para que o voto tivesse validade.
Abstinência total de vinho e fermentados
O nazireu teria que abster-se de vinho e de outras bebidas fermentadas (Números 6:3). E não era só “não beber vinho”: também não poderia beber vinagre feito de vinho ou de outra bebida fermentada (Números 6:3).
Nada de uvas, suco, passas, sementes ou cascas
A restrição era ainda mais ampla: não poderia beber suco de uva nem comer uvas nem passas (Números 6:3). E vai além: não poderia comer nada que viesse da videira, nem mesmo as sementes ou as cascas (Números 6:4). Ou seja: tudo que fosse “fruto da videira” ficava proibido.
Cabelo sem lâmina durante todo o período
Outra marca pública: durante todo o período de seu voto de nazireu, nenhuma lâmina deveria ser usada em sua cabeça (Números 6:5). O cabelo crescido funcionava como sinal visível de separação para Deus.
Separação de cadáveres: nem pai, mãe ou irmãos
E mais: não poderia aproximar-se de um cadáver, mesmo que o seu próprio pai ou mãe ou irmã ou irmão morressem (Números 6:6-7). Isso mostra o nível de restrição ritual exigido durante o voto.
Se houvesse contato involuntário com morte, havia rito de purificação e sacrifícios
Caso alguém morresse subitamente perto dessa pessoa, ela deveria rapar a cabeça e seguir as orientações da lei, levando animais para sacrifício (Números 6:9-12). O texto prevê até acidentes: mesmo assim, havia consequências litúrgicas e reinício do período.
Agora vem a pergunta decisiva: depois de lidas todas essas regras, seria possível que Jesus fosse nazireu?
Jesus era nazireu? comparando a vida de Cristo com Números 6
A resposta é não. E não é “opinião”: é conclusão bíblica quando colocamos as regras do voto ao lado dos Evangelhos.
1) A Bíblia não diz que Jesus fez esse voto (e o contexto não aponta para isso)
Primeiro, a Bíblia não diz que Jesus fez esse voto de forma direta. “Ok”, alguém poderia responder, “talvez não foi dito, mas o contexto aponta”.
O problema é que nem o texto nem o contexto sugerem que Ele estivesse sob esse voto. Quando os Evangelhos querem destacar um cumprimento, uma prática específica ou um sinal, eles o fazem com clareza. Aqui, não há essa indicação.
E é importante lembrar: “Jesus ser de Nazaré” (nazareno) é uma coisa; “nazireu” é outra. Um é identificação geográfica (Nazaré), o outro é um voto com regras específicas (Números 6). Misturar os termos é uma interpretação errada.
2) Se Jesus tivesse feito esse voto, as narrativas mostram que Ele o teria quebrado
Segundo, o contexto que mostra as narrativas sobre a vida de Jesus demonstra que, caso Ele tivesse feito esse voto, Ele o teria quebrado. Vou citar apenas dois exemplos que comprovam isso:
a) A ceia e o fruto da videira: Na instituição da Santa Ceia, Jesus bebeu do fruto da videira com os apóstolos. Se Ele fosse nazireu, isso quebraria diretamente a regra de consumir qualquer coisa que vinha de uvas (Números 6:3-4).
Se o voto proíbe vinho, vinagre de vinho, suco de uva, uvas, passas, sementes e cascas, então participar do cálice seria incompatível com o nazireado.
b) O contato com a morte em Naim: Jesus também, em Lucas 7:4, se aproxima de um morto e toca em um caixão, quando ressuscitou o filho da viúva de Naim. Se o nazireu não podia aproximar-se de um cadáver (Números 6:6-7), então esse gesto—aproximar-se e tocar—entra em choque com o voto.
E o voto previa até o caso de alguém morrer “subitamente perto” do nazireu, exigindo purificação e sacrifícios (Números 6:9-12). Nada disso aparece na vida de Cristo.
Logo, dizer que Jesus era nazireu não se sustenta quando aplicamos as próprias regras bíblicas do nazireado.
3) Quebrar voto é pecado — e Jesus não pecou
Terceiro, sabemos que fazer votos e quebrá-los é pecado. Jesus, porém, não pecou. Então, se Ele tivesse assumido o voto e o quebrado, isso faria dele um pecador—o que é impossível à luz do testemunho bíblico sobre Sua santidade. Portanto, a conclusão é simples: Jesus não foi nazireu.
O que Ele foi, sim, é o Consagrado perfeito do Pai, mas não por meio de um voto da lei de Moisés com essas exigências. O Novo Testamento mostra Jesus cumprindo a Lei em sua totalidade e revelando sua plenitude, mas isso não significa atribuir a Ele práticas específicas que a Escritura não afirma e que os fatos narrados contradizem.
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