A parábola da ovelha perdida explicada verso por verso como você nunca viu!
Você Pergunta: Presbítero, aquela parábola de Jesus sobre as noventa e nove ovelhas que o pastor deixa para buscar uma que está perdida sempre me trouxe algumas dúvidas. Isso porque vejo as pessoas sempre se colocando como a ovelha perdida, como injustiçadas, mas não deveríamos querer ser as que estão achadas pelo pastor?
A parábola da ovelha perdida é uma das mais conhecidas de Jesus e, ao mesmo tempo, uma das mais mal interpretadas. Antes de contá-la, o Senhor estava sendo criticado pelos fariseus e escribas — líderes religiosos que se consideravam justos e espiritualmente superiores.
O texto nos mostra que publicanos e pecadores estavam se aproximando de Cristo; eram pessoas desprezadas, normalmente consideradas indignas de qualquer relação com Deus (pois eram, de fato, pecadores com erros severos). Mas quem não é?
Porém, ao verem este movimento, os religiosos reagiram com desprezo: “Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles” (Lucas 15:1-2).
É nesse cenário que Jesus apresenta uma história profunda e confrontadora. Ele não conta a parábola para enaltecer a “ovelha perdida”, tampouco para incentivar alguém a permanecer no erro.
Ele a conta para mostrar que Deus busca o pecador, mas também para corrigir a postura orgulhosa dos que não aceitam a graça estendida aos outros. Vamos entender isso, verso por verso.
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PARÁBOLA DA OVELHA PERDIDA VERSÍCULO POR VERSÍCULO
Um Deus que busca o perdido sem esquecer o achado
“Então, lhes propôs Jesus esta parábola: Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?” (Lucas 15:3-4).
Jesus usa uma imagem extremamente familiar àqueles judeus: o pastoreio. O rebanho era uma das bases econômicas da época, e qualquer pessoa entendia imediatamente o peso de perder uma ovelha — especialmente quando se tratava de um bem tão valioso.
O homem da parábola simboliza o próprio Senhor. Assim como um dono que percebe que uma de suas ovelhas se perdeu, Deus toma a iniciativa de buscar aquele que está longe para completar o número de suas ovelhas.
A ovelha, por si mesma, não tem condição de se localizar ou voltar ao aprisco; ela se perde exatamente porque é incapaz de se conduzir corretamente. Isso representa o pecador, que jamais se salvaria sozinho.
Contudo, um detalhe importante muitas vezes ignorado é este: as noventa e nove não ficam abandonadas. Jesus não está dizendo que Deus negligencia os que já são dele. Pelo contrário!
O pastor deixa as noventa e nove em local seguro, garantindo que nenhuma outra se perca (não faria sentido buscar uma perdida e arriscar que as outras se perdessem, concorda?). Ele busca a perdida para completar o número daquilo que já lhe pertence. Os eleitos de Deus, os que já foram encontrados, permanecem guardados — e nenhum deles se perderá.
Ele vai encontrar a ovelha perdida
“Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo” (Lucas 15:5)
Quando o pastor encontra a ovelha perdida, não há censura, reclamação ou frustração. Ele a coloca sobre os ombros com alegria. Isso simboliza o momento em que o pecador reconhece sua miséria espiritual, arrepende-se e volta-se para Deus.
A restauração traz alegria — não apenas ao homem que volta para o Senhor, mas também ao próprio Deus.
A figura da ovelha carregada nos ombros é extremamente forte. Ela mostra que a volta ao aprisco não é mérito da ovelha, mas ação do pastor. Deus não apenas encontra; ele sustenta, carrega, cuida e traz de volta com amor. O peso do resgate é totalmente assumido por Ele.
Alegria que contagia a todos
“E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida” (Lucas 15:6)
Aqui, Jesus expande a cena. O retorno da ovelha perdida não gera apenas alegria no pastor, mas em todos que participam daquele contexto. A imagem é de uma celebração comunitária.
As cem ovelhas estão agora reunidas, seguras, completas. Isso aponta para a obra perfeita do Senhor — Ele não falha em restaurar os seus.
Essa alegria contrasta diretamente com a atitude dos fariseus e escribas. Eles murmuram diante da restauração de publicanos e pecadores; não se alegram com a graça de Deus derramada sobre o próximo.
Jesus denuncia, de modo sutil, que quem realmente pertence ao rebanho de Deus se alegra com a salvação alheia, enquanto quem não pertence critica, se escandaliza e se entristece quando Deus alcança alguém.
A verdadeira ovelha celebra a graça sobre os outros. A falsa ovelha, ou aquele que nunca foi do rebanho, vê a restauração do próximo como uma afronta.
O arrependimento provoca alegria intensa
“Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lucas 15:7)
Este é um dos versículos mais mal compreendidos da parábola. Há quem pense que Jesus está diminuindo as noventa e nove ovelhas que “não necessitam de arrependimento”. Mas isso não poderia estar mais distante da intenção do texto.
As noventa e nove não são pessoas perfeitas ou superiores; são pessoas que já passaram pelo processo de arrependimento. Já foram encontradas! Já foram restauradas!
Estão maduras o suficiente para não se desviar novamente. Por isso, não estão mais naquela condição desesperadora de uma ovelha perdida. Elas já estão seguras no cuidado do pastor.
O “maior júbilo” no céu não significa que Deus ama menos os que já estão no aprisco, mas que há um tipo especial de celebração pelo retorno daquele que estava em perigo. A alegria é comparativa, não competitiva.
Esse verso, então, nos ensina duas coisas:
a) Existe uma alegria especial na restauração do perdido, porque ela representa o resgate de alguém em risco.
b) Existe também uma alegria constante pelos que permanecem firmes, porque já estão seguros, maduros e estáveis no aprisco.
Devemos querer ser as noventa e nove, não a perdida
Muitas pessoas romantizam a figura da ovelha perdida, como se fosse um status espiritual desejável. Mas Jesus ensina exatamente o contrário.
A ovelha perdida está em perigo, vulnerável, confusa, incapaz de sobreviver sozinha. Ela representa alguém que se afastou e precisa urgentemente ser resgatado.
Nós já fomos essa ovelha, sim. Todos nós já estivemos perdidos um dia. Mas Cristo nos encontrou! Por isso, agora, não devemos desejar voltar à condição de perda, erro ou confusão espiritual. Devemos querer ser as noventa e nove, aquelas que:
- Estão seguras no aprisco;
- Já foram transformadas;
- Permanecem firmes;
- Colaboram com o rebanho;
- Se alegram com a restauração dos outros.
A maturidade cristã não se encontra na instabilidade da ovelha perdida, mas na estabilidade da ovelha guardada.
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