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O dízimo deve ser dado do líquido ou do bruto do salário?

Você pergunta: Eu sou dizimista da obra do Senhor e tenho muita alegria de fazer isso de forma voluntária. Mas estou com uma dúvida: eu devo separar meu dízimo do líquido ou do bruto do meu salário? Já conversei com algumas pessoas e às opiniões são bem diferentes. Gostaria de saber sua opinião a respeito.

Caro leitor, nós já falamos aqui a respeito de dízimos, se existe obrigatoriedade de dizimar no novo testamento (Leia aqui) [1], portanto, nesse estudo não iremos abordar questões que são muito debatidas sobre se o dízimo ainda deve ser praticado ou não em nossos dias. Portanto, este estudo tem em vista ajudar aqueles que são dizimistas e querem fazer isso de forma voluntária e agradável ao Senhor. Sendo assim, vamos à sua questão:

O dízimo deve ser dado do líquido ou do bruto do salário?

O dízimo deve ser dado do líquido ou do bruto?

(1) Em primeiro lugar não temos na Bíblia qualquer orientação a respeito dessa questão de dizimar do líquido ou do bruto de um salário, já que nos tempos bíblicos as estruturas de ganhos, de trabalhos, de pagamentos eram bem diferentes da dos nossos dias. Por isso, o que tratarei aqui é uma opinião minha, particular, e não uma ordenança da Bíblia.

(2) Dito isto, vemos que o princípio do dízimo é uma oferta ao Senhor referente a 10% da sua renda. Jesus elogiou os fariseus por serem criteriosos quanto a sua contribuição: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas!” (Mateus 23:23). Observe que apesar da crítica de Jesus à hipocrisia deles, Jesus também diz que eles estavam certos sendo criteriosos quanto aos seus dízimos. Por isso, penso que se formos dizimar, é legítimo ter preocupação em querer dizimar da melhor forma possível.

(3) Sendo assim, em meu pensar devemos dizimar sobre o valor líquido do salário recebido. Eu vou explicar porque penso assim e também fazer algumas observações importantes com exemplos para que você tenha isso de forma bem clara. Dentro da estrutura trabalhista brasileira existem descontos em folha que correspondem ao INSS (desconto para aposentadoria e proteções sociais) e o IR (Imposto de Renda), que depende do valor do seu salário. Esses são os principais descontos (Mas existem outros, dependendo do valor do salário e outras questões). Esse dinheiro será usado (acessado) pelo trabalhador apenas no futuro, por isso, em minha opinião, serão “dizimados” ou seja, a pessoa poderá dizimar deles quando os receber. Na prática, ela não recebeu esses valores, eles foram descontados dela em folha, mas ela ainda não pode usá-los. Dessa forma, a meu ver, a pessoa não precisa dar o dízimo deles agora, mas depois quando terá a soma deles em seu poder.

(4) Colocando em um exemplo prático ficaria mais ou menos assim:

RECEITAS:

Salário: R$ 2.000,00 (+)

Cesta Básica: R$ 150,00 (+)

Horas extras: 350,00 (+)

TOTAL BRUTO: R$ 2.500,00

DESCONTOS:

INSS: R$ 275,00 (-)

IR: R$ 200,00 (-)

TOTAL LÍQUIDO: R$ 2.025,00

Nesse caso hipotético acima, penso que a pessoa não deva dizimar dos R$ 2.500,00 (bruto), mas dos R$ 2.025,00, valor líquido após os descontos. Dizimar do valor bruto, ao meu ver, pode trazer desequilíbrio ao orçamento familiar, pois a parcela tirada para o dízimo será, na prática, bem mais que 10%, já que o valor de INSS e IR (que poderá ser restituído depois) não estão disponíveis para uso imediato.

Dízimo do líquido, uma ressalva

(5) Gostaria, porém, de fazer uma ressalva quanto a isso: se você tem empréstimos descontados em folha, ou outros valores que são descontados e que são contas que você fez, aí não deve considerar o valor líquido, pois são contas suas, são valores que você recebeu e que estão sendo descontados ali, portanto, se esse for o caso, faça um ajuste do valor líquido para poder dizimar de uma forma mais precisa quanto aos seus ganhos. Veja um exemplo:

RECEITAS:

Salário: R$ 2.000,00 (+)

Cesta Básica: R$ 150,00 (+)

Horas extras: 350,00 (+)

TOTAL BRUTO: R$ 2.500,00

DESCONTOS:

INSS: R$ 275,00 (-)

IR: R$ 200,00 (-)

Empréstimo desconto em folha:  R$ 150,00 (-)

TOTAL LÍQUIDO: R$ 1.875,00

Observe que nesse caso o valor líquido não representaria o valor correto para dizimar, pois houve um desconto de empréstimo em folha. Nesse caso, faça um ajuste no valor líquido, somando o empréstimo em folha ao valor líquido:

TOTAL LÍQUIDO: R$ 1.875,00 (+)

Empréstimo desconto em folha:  R$ 150,00 (+)

TOTAL PARA DIZIMAR: R$ 2.025,00

(6) Quero terminar dizendo que aquilo de principal que Deus vê em nosso coração não é o tamanho da nossa contribuição, antes, a nossa fidelidade, nosso reconhecimento a Ele por tudo que fez e faz, nosso envolvimento com a obra Dele em todos os sentidos. Mas, claro, se nos dispormos a ofertar, devemos fazer da melhor forma possível. Espero que essa breve orientação lhe ajude a se organizar bem para poder ser um sustentador da obra do Senhor! Como recebo muitas dúvidas também perguntando sobre dízimos em momentos de problemas financeiros, deixo este estudo para você ler também: Devo dizimar se minha família está passando necessidades? [8]