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Explicando as parábolas de Jesus: A parábola das dez virgens

Dentre as parábolas contadas por Jesus [1], a parábola das dez virgens talvez seja uma das que mais confunde as pessoas, pois a interpretação dela exige um pouco de conhecimento da cultura judaica com relação a casamentos para uma boa compreensão. Mas hoje iremos compreender de forma detalhada.

Onde está a parábola das dez virgens?

Essa parábola está em Mateus 25:1-13. Essa história contada por Jesus está inserida em um contexto importante a ser considerado. Jesus está respondendo a uma pergunta feita pelos discípulos em Mateus 24:3: “No monte das Oliveiras, achava-se Jesus assentado, quando se aproximaram dele os discípulos, em particular, e lhe pediram: Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século”. Nessa parábola das dez virgens Jesus foca na resposta da segunda parte da pergunta dos discípulos, que é  respeito da volta Dele.

Parábolas de Jesus: A parábola das dez virgens

Resumo da parábola das dez virgens

O personagem principal desta parábola é o noivo. Ele está às vésperas de seu casamento e se aprontando para a realização de todos os rituais que geralmente eram feitos em um casamento judaico. Dez moças virgens aguardam a chegada desse noivo, cinco delas são consideradas prudentes, pois estavam com suas lamparinas e com azeite suficiente para elas e ainda uma reserva. As outras cinco são imprudentes, pois estava despreparadas para a chegada do noivo, ao não levar azeite para suas lâmpadas. O noivo demora a chegar e chega em um horário pouco usual (à meia-noite). As cinco prudentes, com seu azeite e lamparinas acesas, seguem o noivo para a festa de casamento. As outras cinco, imprudentes, tentam achar azeite, mas não conseguem. Mais tarde chegam à festa, mas não são recebidas pelo noivo, ficando de fora.

Lições da parábola das dez virgens

(1) Não estamos diante de um casamento polígamo [2]

Muitos se confundem achando que as dez virgens são noivas desse noivo. Essa não é a realidade dessa parábola. Para entender isso, é importante entender que no casamento judaico, temos geralmente três estágios: o primeiro é o compromisso, geralmente um acordo feito pelos pais do menino e da menina, prometendo um ao outro. Segundo, temos o noivado, onde o casal se compromete em uma festa realizada geralmente na casa da noiva, diante de testemunhas, onde a noiva recebe presentes como sinal do comprometimento. Por fim vem o casamento. O noivo saí com seus amigos em cortejo até a casa do pai; ali está a noiva, que é levada a casa de seus pais, onde se realiza a festa do casamento. É bem provável que Jesus esteja usando esse último estágio em sua parábola. As dez virgens podiam ser damas de honra da noiva, ou amigas dela e do noivo que iriam em cortejo com o noivo até a festa do casamento. A ideia de um casamento de um noivo com dez moças não faz sentido, já que o noivo rejeita cinco delas, o que é impensável nas tradições do casamento judaico.

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(2) O noivo vem em hora improvável

Sabemos que esse noivo representa Jesus Cristo. O texto mostra o noivo chegando em um horário improvável para um casamento: “Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro!” (Mateus 25:6). Jesus demonstra aqui que Sua vinda será repentina, em momento que não se espera, ou seja, ele demonstra que estar vigilantes é um dever dos servos prudentes. A fé de que o noivo virá, a vigilância e o zelo são elementos importantes para que estejamos preparados para a vinda do noivo.

(3) As dez virgens representam a igreja com os salvos e não salvos

As dez virgens da parábola são figura clara da igreja visível como um todo, que parece conter 100% de pessoas que realmente amam a Deus, mas que, na verdade, não contém. A vinda no noivo revelará quem são os prudentes (salvos) e quem são os imprudentes (não salvos).

(4) Não haverá segunda oportunidade após a vinda do noivo

Muitos acreditam que Deus, no final, irá salvar a todos, que todos entrarão em sua “festa” de salvação. Mas essa parábola demonstra que somente aqueles de fato “prudentes” e que estão preparados de verdade para se encontrar com o noivo entrarão no céu. Os imprudentes não terão segunda oportunidade: “Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta! Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço” (Mateus 25:11-12). Por mais que as cinco virgens imprudentes, agora que viram que o noivo realmente veio, buscassem comprar azeite de última hora (o que era improvável, pois era meia-noite), já era tarde demais. Após a vinda do noivo a oportunidade de entrar na festa acaba!

(5) A parábola das dez virgens ensina-nos a nos preparar agora

Quando será nosso encontro com o noivo para irmos com ele à festa? Muitos gostariam de saber essa data para, então, se preparar. Mas essa parábola mostra que o dia de preparação é hoje. Não podemos deixar para amanhã, pois poderemos, no dia de amanhã, estar “sem azeite”. Por isso, aqueles que ainda não tem certeza de sua salvação e não entregaram seus corações a Jesus Cristo, precisam atentar para o recado do mestre que finaliza a parábola: “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora” (Mateus 25:13)

Jesus finaliza a parábola das dez virgens não respondendo de forma precisa ao que os discípulos queriam saber. Os discípulos [9] queriam saber o “quando” seria a vinda de Cristo e o final dos tempos. Jesus preferiu mostrar que Ele viria, que Sua vinda era certa, que a “festa” já estava organizada, ainda que parecesse tarde. Jesus, o noivo, queria que Seus servos estivessem vigilantes e alertas, pois o dia e hora não será de conhecimento de nenhum de nós, por isso, estar preparados é fundamental!