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O vinho que Jesus bebia tinha álcool ou era apenas um suco de uvas?

Você pergunta: Tenho um amigo crente que gosta muito de beber bebidas alcoólicas e sempre que o questiono sobre isso ele me diz que o vinho que Jesus bebia tinha álcool, então, isso indica que não é proibido beber. Eu gostaria muito de saber sobre isso, pois sempre aprendi que esse vinho que Jesus bebia era uma espécie de vinho sem álcool chamado de mosto [1]. Pode me ajudar a entender?

Caro leitor, quando falamos em nosso tempo sobre bebidas alcoólicas realmente o debate é grandioso. Já escrevi alguns textos aqui sobre o assunto, o último é este: 6 objeções a crentes que bebem bebidas alcoólicas [2]. Nele eu analiso se existe proibição na Bíblia sobre uso de bebidas alcoólicas e outras questões. Mas sobre a questão se o vinho que Jesus bebia tinha álcool, vamos às análises nos textos bíblicos:

O vinho que Jesus bebia tinha álcool?

(1) O texto mais famoso sobre a questão de Jesus e o vinho é a transformação da água em vinho feita por Jesus em um casamento que foi, inclusive, Seu primeiro milagre. Vejamos a descrição do milagre: “Tendo o mestre-sala provado a água transformada em vinho (não sabendo donde viera, se bem que o sabiam os serventes que haviam tirado a água)…” (João 2:9). A palavra vinho destacada neste texto é a palavra grega “oinos”, que é utilizada para identificar vinho que contém álcool, um vinho fermentado.

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(2) Isso é facilmente verificável quando observamos, por exemplo, essa ordem de Paulo: “E não vos embriagueis com vinho (oinos), no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Efésios 5:18 – parte entre parênteses, acréscimo meu). Observe que Paulo usa a palavra grega “oinos” justamente para orientar que não se deve embriagar-se. Só dá para embriagar com vinho alcoólico, logo, fica claro, que o vinho que Jesus bebia tinha álcool. Apesar de não termos a menção clara de Jesus ter bebido vinho nesse casamento, me parece uma conclusão óbvia já que Ele transformou a água em vinho. Mas podemos ver em outros textos a indicação de que Jesus bebia vinho, pois, os fariseus o acusam de ser um bebedor de vinho (oinopotes) injustamente em Mateus 11:19.

Se o vinho que Jesus bebia tinha álcool então estou liberado para beber à vontade?

(3) Oba, quer dizer que a bebida alcoólica está liberada? Não é bem assim! Sabemos que era comum que os vinhos da época de Jesus fossem misturados com água. Isso, certamente, diluía o teor alcoólico, fazendo com que a embriaguez (proibida veementemente na Bíblia) fosse mais demorada e fosse facilitado o controle daquele que bebia sobre sua condição. Isso certamente ajudava em muito aqueles que usavam a bebida de forma moderada e correta.

(4) Alguns comentaristas sugerem que quando o mestre-sala diz que o vinho que Jesus produziu pelo milagre era melhor que primeiro, seja uma indicação de que fosse um vinho mais puro e que, nesse caso, o primeiro vinho que havia sido servido, seria aquele vinho mais misturado com água, portanto, mais fraco, menos alcoólico, um vinho de qualidade inferior: “e lhe disse: Todos costumam pôr primeiro o bom vinho e, quando já beberam fartamente, servem o inferior; tu, porém, guardaste o bom vinho até agora” (João 2:10).

(5) O vinho que Jesus bebeu tinha álcool, isso é fato, no entanto, é importante que não usemos esse fato como uma licença para se entregar a bebedices, como se Jesus tivesse feito tal coisa. A Bíblia tem advertências claras quanto ao perigo das bebidas (Provérbios 23:29-35). Além disso, acho importante que a questão cultural também seja levada em conta. A bebida na cultura judaica era vista de uma forma bem diferente do que na nossa. Em nossa cultura a bebida não é vista com bons olhos quando faz parte da vida de um servo de Deus, por isso, devemos tomar cuidado não só com a embriaguez, mas com o bom testemunho cristão, além, é claro, dos graves problemas de dependência que a bebida pode trazer. Devemos nos perguntar: vale a pena? Pensando nisso escrevi também um estudo onde mostro minhas razões para não beber: 5 razões por que, como crente, não tomo bebidas alcoólicas [9].