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O pão e o vinho da Ceia do Senhor se transforma no corpo e sangue de Cristo?

Você pergunta: Sou evangélica há pouco mais de um ano e numa conversa com uma amiga católica a respeito da ceia do Senhor, ela me disse que eles creem que na santa ceia a hóstia se transforma no próprio corpo e sangue de Jesus. Achei isso meio confuso. O que a Bíblia diz sobre essa questão?

Cara leitora, realmente a doutrina católica prega que no momento da ceia o Senhor [1] Jesus se faz presente na transformação da hóstia consagrada que eles usam. Essa doutrina que eles pregam se chama transubstanciação, que significa que a hóstia se transforma de forma real no corpo real de Jesus Cristo [2]. Para tal eles utilizam o texto de Lucas 22:19, que diz: “E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim”. O fato de Jesus ter dito que aquele pão era o Seu corpo, para eles indica que qualquer outro pão que for usado na mesma cerimônia ordenada por Jesus também será o próprio corpo de Jesus. Mas será que isso é realmente o que a Bíblia ensina. Vejamos algumas objeções para essa doutrina da transubstanciação:

transubstanciacao-o-pao-e-o-vinho-se-transformam-no-corpo-real-de-cristo [3]

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O pão e o vinho se transformam no corpo real de Jesus Cristo na ceia do Senhor?

(1) Qual foi a intenção de Jesus ao dizer que aquele pão era o seu corpo? Certamente não foi a de ser literal. Em outras passagens bíblicas vemos Jesus usando figuras de linguagem para exemplificar Seus ensinos. Ele disse que ele era a porta (João 10:9) e nem por isso achamos que Jesus é uma porta. Ele disse que era uma videira (João 15:1) e nem por isso achamos que Jesus é uma arvore. Ele disse que era a luz (João 8:12) e nem por isso achamos que Jesus é uma lâmpada ou outra fonte de luz. Mensagens figuradas eram muito usadas por Jesus para transmitir de forma mais veemente algum ensino. A palavra de Jesus sobre o pão e o vinho fazem parte desse acervo de figuras de linguagem usadas por Jesus.

(2) As boas regras de interpretação nos ensinam a considerar o que o texto significava para quem ele foi dito. Jesus estava perante Seus discípulos segurando um pão. Então, Jesus, olha para o pão e diz: “Isto é o meu corpo” (Lucas 22:19). Não temos elementos palpáveis para crer que os apóstolos tenham compreendido que Jesus estivesse segurando em Suas mãos o Seu próprio corpo que teria uma aparência de um pão, o cheiro de um pão, o sabor de um pão, mas que, consagrado, seria Sua própria carne real. Confuso isso, não? O fato é que Jesus estava deixando um memorial, algo que deveria ser repetido pelos Seus discípulos: “fazei isto em memória de mim” (Lucas 22:19). Isso fica bastante claro no texto.

(3) Não existe qualquer menção do entendimento de que pão e vinho se transformem no próprio corpo e sangue de Cristo em outros textos bíblicos que falam sobre a ceia do Senhor. Inclusive, no texto mais detalhado depois do de Lucas, o apóstolo Paulo deixa claro o principal aspecto da ceia do Senhor, que é anunciar o sacrífico feito por Cristo: “Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha” (1 Coríntios 11:26). Essa fala de Paulo confirma o entendimento da intenção de Jesus ao instituir a ceia como uma lembrança e uma pregação sobre tudo aquilo que ele fez mais tarde na cruz do calvário. Portanto, a transubstanciação não se harmoniza com a prática da ceia ensina por Jesus e pelos discípulos.